Fazer Amizade com as pessoas é uma das melhores coisas do Mundo. E a blogosfera propicia isso. Mas também pode ser muito perigosa; logo, há que ter muito cuidado: somos muitos e convém não esquecer que os homens são todos iguais - mas há uns mais iguais do que os outros...

Quinta-feira, 23 de Maio de 2013

PASSATEMPO/CONCURSO

Encerrado o prazo para entrega das respostas
e vencedores

Terminou hoje o PASSATEMPO/CONCURSO sobre seis figuras de homens ilustres. Estão portanto encontrados os vencedores que postaram as suas respostas no quadrado destinado a comentários.

Oportunamente serão divulgados os ganhadores e desde já peço que enviem o mais rapidamente possível os nomes verdadeiros e as moradas de correio de cada um. Lamento que tenha havido poucos concorrentes, mas em contrapartida muitos são os vencedores e que vão receber o prémio das folhinhas indianas com gravuras pintadas à mão.
Obrigado

Henrique
ORA AGORA, VIRA



Enforcada em Ponta Delgada

Antunes Ferreira
Chovia, sempre chove nos Açores. O avião da TAP acabava de aterrar no aeroporto de Ponta Delgada, Paulo II. Desci e tomei um táxi, e o condutor perguntou-me para onde queria ir. Hotel Talisman, é na rua Marquês da Eu sei senhoure. Começava o meu desafio para compreender a pronúncia açoriana. Chegámos, um groom, abriu-me a porta, apanhou a minha bagagem e entrei no átrio. No balcão de atendimento, depois de uma menina muito gira me informar sobre tudo o que o hotel me podia fornecer, deu-me o cartão magnético do quarto 204. Nele desfiz a minha mala.

Um  verdadeiro delírio
Saí para ir almoçar e aproveitei para telefonar à minha Tânia Vanessa a dizer que chegara bem. A despedida fora complicada pois ela agarrara-se a mim, perguntando-me quantos dias ficara nas ilhas açorianas. Informei-a que contava que fossem uns quinze dias aproximadamente, pois dependia das investigações. Isso teve como resultado e apesar de ela estar grávida, fomos para a cama. Nem preciso de descrever os momentos de verdadeiro delírio que aconteceram, basta, por exemplo, que tínhamos feito todas as brincadeiras até o suor nos obrigar a parar nos braços um da outra, eu afagando-lhe os seios e metendo-lhe o dedo na concoisa e ela fazendo um vai e vem no meu caralcoiso. Só parámos quando os leites se soltaram!

Estas despedidas eram sagradas, o Miguelzinho naturalmente participou também e, ainda que contristado, parti para os Açores. Ia até lá pois tinha-me telefonado o Senhor Agostinho Mesquita do Restaurante Mercado do Peixe para me perguntar se sabia do caso de uma mulher enforcada que a Judiciária local sustentava que fora um suicídio mas que ele pensava que se tratava de assassínio. Respondi-lhe que não mas que ia tentar saber. O Senhor Mesquita disse-me que a ser assim, avançasse. Combinámos depois os meus honorários o que foi fácil pois ele era um proprietário abastado e ainda por cima fora o herdeiro de uma fortuna de milhões de euros, dum tio que vivia na Califórnia. Tudo bem. Mas o Senhor Mesquita avisou-me que havia por lá uns quantos drogados e era melhor precaver-me. E perguntou-me se tinha uma arma. Tinha uma automática magnum. E agradeci-lhe.

Automática no coldre
Voltei ao hotel, pus o coldre debaixo do braço e enfiei nele a automática. Enfim, estava seguro, que obviamente não é o líder do PS que é Seguro. Fui almoçar ao Restaurante Capelas que não conhecia, mas que fora indicado pelo patrão do front desk do Talisman e a morada dele. Almocei que nem um abade pois o pequeno-almoço no avião fora pouco e nada bom. Depois da refeição desloquei-me até à agência da Avis e aluguei um carro. Deste modo podia deslocar-me melhor ainda que não conhecesse o caminho. Como o carro tinha GPS e fui até a Rabo de Peixe onde vivia o Dr. Mário Abreu de Menezes que ali dava consultas.

Entretanto a Judiciária local fora avisada pelo Inspector Xavier Pintado que havia uns dias ali tenha chegado para passar umas férias, acompanhado pela mulher e dois filhos. Porra! Que coincidência?!?!?! Fora avisada da minha estada na capital da ilha de São Miguel, que eu era muito descarado e sobretudo muito picuinhas nas averiguações. Claro que não informou o subinspector Medeiros que era o chefe da Pê Jota. E que muito provavelmente andaria armado. Não dissera que eu descobria o delinquente antes dele o fazer, pois não queria enxovalhos, muito menos risotas.  

Rabo de Peixe
Naturalmente o Medeiros pôs-se a pau dada as informações do Pintado. Respondera-lhe que estaria de olho em cima de mim. Posto isto, encontrava-me em Rabo de Peixe para me encontrar com o Dr. Victor Resende que tinha o consultório de advogado na Rua des Flores, 24 r/ch. O advogado, para quem o Dr. Menezes telefonara a informar da minha chegada, o que fora uma gentileza que eu havia de agradecer na devida altura. Por isso o Dr. Resende me mandou entrar, acolheu com sorriso e um aperto de mão que quase fiquei com ela amarrotada, pois o jurista pesava prá í uns bons cem quilos, media cerca de um metro e noventa, mas pareceu-me um tipo bué da fixe.

A Rosa Sabinda
Conversámos enquanto bebíamos uns copos e eu expliquei-lhe que tentava saber coisas de uma mulata que fora enforcada. Sei, ou melhor, sabia muito bem quem era, a Rosa Sabinda que fora sua empregada durante mais de três anos. Quanto ao assassínio não podia dizer-me nada porque não sabia dizer-me absolutamente nada. Agradeci-lhe ao fim da conversa, ele também fora amabilíssimo e despedi-me. Como já sabia qual a força dele, gato escaldado entreguei-lhe a destra com muito cuidado e ele riu-se, pois compreenderaVoltei a Ponta Delgada, fui novamente a casa do Senhor Mesquita e dei-lhe conta da minha infrutífera diligência em Rabo de Peixe o que me deixara um tanto descoroçoado. Ele disse-me que não desanimasse e deu-me a morada do Eng.º António Cabral que tinha o escritório na Avenida Infante D. Henrique, a marginal, número 52 3º Esquerdo.

Mas como já ia chegando a noite e não queria incomodá-lo, fui jantar ao restaurante O Galego e acabada a refeição voltei ao hotel. Aí esperava-me uma surpresa, o Inspector Medeiros que me deu uma ordem de prisão, acompanhada pelo respectivo mandato. Lá fui parar à cela onde passei uma noite e no dia seguinte veio o Dr. Menezes que pagou uma caução de mil e quinhentos euros e vim para a rua. Disse ao advogado que a despesa entraria nos meus honorários que eram bastantes. Então segui para um colega dele, o jurista Abel Vicente que tinha o escritório na Rua do Brum, 74 1º Direito.

Praceta Gonçalo Velho Cabral
Finalmente acabei as minhas diligências quando ele me disse que a Rosa Sabinda tinha um ex-namorado que não se conformara com a separação e a perseguia ameaçando-a que a mataria. Foi, portanto uma canja. Apanhei o filho da puta num quarto alugado na Praceta Gonçalo Velho Cabral e que depois de lhe dar um para de galhetas me confessou que fora o assassino. Por isso telefonei ao subinspector Medeiros que, acompanhado do Xavier Pintado, mandou levar o criminoso para o xadrez. Nesse preciso momento o Inspector de Lisboa fez o costumado lamento. O cabrão chega sempre antes, é o destino, é o fado, é puta que os pariu. E em seguida mandou reservar para o dia seguinte os bilhetes para toda a família, que se fodam as férias!!!

O Mesquita quando me fui despedir dele e fazer as contas estava todo satisfeito, todo contente e disse-me que me entregava um suplemento graúdo pelo meu êxito. Acompanhou-me ao aeroporto João Paulo II, desejou-me uma boa viagem, deu-me um abração e quando me instalei na aeronave e olhei pela vigia lá estava ele a dizer-me adeus. Voltei na SATA, as assistentes de bordo eram porreiras, bem-dispostas, carinhosas e eficientes e o comandante impecável aterrou na Portela de tal forma que a malta os ovacionou batendo palmas. Lindo desenlace.

Amor no duche
Agora, se fazem favor os leitores, imaginem o acolhimento da minha Tânia Vanessa, um filme proibido a menos de 98 anos. Não descrevo o que se passou, porque vocês sabem bem. Quando chegámos ao fim daquele brilhante acolhimento, suávamos por todos os poros de tal maneira que tomámos um duche, ensaboá-mo-nos perdemos de novo a tramontana, o Miguelzinho até foi correr a cortina do duche e ficou a olhar para nós e nós nem o mandámos para o quarto dele, de tal forma estávamos entusiasmados.
   

 


Segunda-feira, 20 de Maio de 2013


ORA AGORA, VIRA





Antunes Ferreira

Restaurante Sabores de Goa
O homem vinha do Luxemburgo pela primeira vez depois de trinta e quatro anos, era pedreiro, o que justificava esse tempo, além disso era da Província, mais precisamente de Bragança, Trás-os-Montes. Isso era a questão pois fora para aquele pequeno País da União Europeia, que então ainda se chamava CEE, e não conhecia Lisboa. Muito menos o Bairro das Províncias Ultramarinas. No aeroporto da Portela, deu ao motorista a morada do primo Manuel Francisco que morava lá na Rua do Zaire, 11, por cima do restaurante «Sabores de Goa» dissera-lhe que nunca se chamara Bairro das Províncias Ultramarinas, pois fora sempre o Bairro das Colónias. Então o Salazar não lhe mudara o nome, tudo que se dizia Colónias para Províncias UltramO primo Manel Francisco, explicou-lhe com um sorriso nos lábios que o ditador não conseguira mudar o Bairro das Colónias.

O bragantino (sempre lhe cheirava a esturro, Bragança era Bragança porquê bragantino?) de nome João Miranda foi alojar-se na pensão Flor, à Almirante Réis, depois do primo Manuel lhe explicar os transportes que devia utilizar, as paragens dos mesmos e essas coisas todas. Também podia viajar de metro ou de eléctrico  No dia seguinte apanhou o metro para o Rossio, pois queria confirmar no seu banco (seu, deles, claro pois nunca teria um banco, apenas os dos jardins). Estava tudo certo, o que enviara do Luxemburgo para construir uma casita lá na terra como emigras.

O D. Maria Segunda (à noite)
Como se espantou quando chegou ao Rossio, uma bela praça com um belo edifício com colunas e tudo e depois explicou-lhe um preto que por ali andava com outros pretos, que era o Teatro Nacional D. Maria II. Abriu os olhos e andou. Mas o que mais lhe deu nas vistas eram os engraxadores que ali estavam com os seus instrumentos para o desempenho da sua profissão, havia dois senhores que poliam os sapatos. E ficou a ver a habilidade de engraxar os sapatos de puxar-lhes o brilho com um pano esticado passa e repassa. Resolveu tirar-lhes uma fotografia, pediu-lhe licença e já está! Resolveu dar um passeio a pé, seguindo as ruas e praças como o primo lhe indicara.

Engraxar os sapatos
No dia seguinte voltou ao Rossio e aos engraxadores e começou o busílis da questão. Um deles, o Nando Serrador, a quem perguntara uma qualquer coisa, de resto não era ela de pequena monta, dissera-lhe que um colega, o Chico do cais do Sodré, fora encontrado com uma faca no peito, ou seja fora assassinado. A Judiciária já tomara conta do acontecido, porém ele, João Miranda achava, recordou-se de um crime no Luxemburgo que a Polícia de Investigação não conseguira resolver um assassínio e fora um dective privado que desfiara o caso à mealha num crime que ali houvera, pensara que seria melhor um tipo de tal quilate. Assim fizera fora à lista telefónica, páginas amarelas secção DECTIVES PRIVADOS e escolhera à sorte um nome de um tal Miguel Castanho com o escritório na Rua da Prata, 128, 2º esquerdo.

Por isso estava eu, Miguel Castanho, que recebi no meu escritório, onde lhe perguntei qual era o caso que o levara ali. O senhor Miranda, antes mesmo de relatar-me o ocorrido, disse-me que tirasse o senhor, pois era simplesmente o Miranda. Assenti no Miranda e então ele começou a contar-me o caso do engraxador que fora encontrado com uma faca no peito. Se eu deslindasse o crime ele pagar-me-ia Nestas coisas o segredo é a alma do negócio. Aceitei o encargo que me pedira, disse-lhe que ia começar a investiga-lo e indiquei-lhe o preço que levaria pelo meu trabalho. Achou o preço muito elevado, era carote para as suas posses, mas que já se metera no caso, iam-se os dedos, mas ficavam os anéis, e disse-me que se desenrascaria e arranjaria o pilim, talvez com a ajuda do primo, e portanto que eu seguisse em frente. Assim fiz!     

O Nando Serrador
Despedira-me da minha adorada Vanessa, tínhamos comprado uma vivenda no Restelo (pois a vida corria-me bem e ganhado uns bons pilins) já entende o que se passou, ou seja foi um beijo, língua com língua e só parámos porque eu tinha que fazer. Voltei ao Rossio, cheguei-me a um dos engraxadores, que se chamava Nando Serrador, poliu-me me os sapatos, e começámos a conversar, ele era um falador sobretudo do futebol e era um benfiquista, Eu era sportinguista, por isso entrei a brincar, ele era um lampião ferrenho, eu, sendo um leão, não alinhava nessas exaltações.

... com uma faca no peito
No meio da conversa repetiu-me o que revelara ao Miranda, ou seja que outro engraxador chamado o Zé do Cais do Sodré aparecera debaixo dos arcos do Terreiro do Paço (que era onde dormia, a crise estava fortíssima e a austeridade era uma chatice), com uma faca cravada no peito, uns bons quatro centímetros. Fiquei intrigado como se soubera, fora um transeunte que trabalhava no Ministério das Finanças que dera o alarme e participara à PSP e depois viera a Judiciária e novamente encontrei-me com o Inspector Xavier Pintado, que ao ver-me comentou com um ar azedo, puta de coincidência. Eu retorqui-lhe o habitual, chegara primeiro Ele franziu o cenho e de que maneira, no fundo dávamos-mos  bem, mas fingíamos para disfarçar. Vieram os gajos naturais na coisa, uma ambulância para levar o corpo até ao edifício onde se fazem as autópsias que é o Instituto de Medicina Legal, na Capital e onde ficam depositados os corpos depois dela à espera que alguém venha identificá-los

Pareceram-me estranhos todos os contornos do caso e por comecei a averiguar. Voltei uma vez mais ao Rossio, indicou-me o mesmo engraxador que havia um sujeito, de nome Vicente Caldeira, que morava na rua da Trindade, mas não sabia o número. È fácil, mas vou-me desenrascar e dei-lhe dois euros para lhe pagar a informação e ele agradeceu-me. Fui até à rua e perguntei no restaurante que por ali há, o Trindade, o número da porta de um cliente habitual, o senhor doutor Manuel Montenegro. Era o número 16, 2º Direito. Fui visitar o médico, ao seu consultório, mas como não marcara a consulta, tive de esperar um bom bocado. Finalmente duas horas depois entrei e ele convidou-me a sentar-me. Então de que se queixa?

Respondi-lhe que não, que somente queria perguntar-lhe se conhecia o Zé do Cais do Sodré. Não teve a menor dificuldade em responder-me e perguntou-me se não era o tipo que levara uma facada no Terreiro do mas por que bulas tinham-lhe enterrado uma faca no peito? Aí é que estava o busílis. Mas deu-me o nome e a morada de um advogado, o Dr. Ravi Mascarenhas que era goês. Ali me desloquei, voltaram as muitas horas de espera já sabem porquê Lá comecei a mesma ladainha que não o fora visitar para me dar uma consulta ou mesmo uma opinião, mas muito simplesmente queria saber onde parava pelas tardes o engraxador. Mas por que queria eu saber? Porque lhe haviam dado uma facadela no peito. Esbugalhou os olhos pois que não sabia nada de tal ocorrência. Era um tipo porreiro, por que raios lho haviam feito? Era isso mesmo que eu averiguava. Recuperado do espanto, retorquiu-me que tinha de perguntar a uma enfermeira do Hospital São Francisco Xavier, de seu nome Noémia da Conceição porque ela devia saber.

Já estava cansado de tantas deslocações, mas que remédio a vida tem destes ossos que é preciso roer. Recordei-me então que, apesar de todas as dificuldades, eu devia seguir em frente. Portanto, e de acordo com o Nando que continuava a ser-me muito útil e me dava o incentivo para que o criminoso fosse punido e com pena severa, ele espetar-lhe-ia uma naifa também, ao que lhe atirei que malandro que é malandro não estrilha, muda de esquina, e que ninguém podia fazê-lo. E recordei-lhe que o julgamento de Salomão não era para ali chamado. Resumindo e concluindo: meti-me no meu carro e fui procurar a Noémia da Conceição no hospital que ficava no Restelo.

O Nando informou-me que
eu tinha um mandato de captura
Entrementes o Serrador (que se transformara num verdadeiro secretário para mim) telefonara-me dando-me a informação de que o Inspector estava pior do que estragado por causa das minhas idas e vindas, o que lhe parecia muito suspeito. Por isso já tinha um mandato de captura com o meu nome estampado. Eu que não achava piada ir para a grelha, disse para mim mesmo que tinha de deslindar o crime o mais depressa possível. Portanto, dei corda às sapatilhas e cheguei ao Hospital de S. Francisco Xavier. Coincidência lixada: Xavier da Pê Jota e Xavier hospital.

Noémia da Conceição que vinha a sair pois terminara uma noite de serviço, usava uma minissaia muitíssimo mini e um top com a mesma dimensão. Era uma brasa e ela sabia que era. Aproximei-me dela e convidei-a para umas bóbidas, ao que ela aquiesceu. Fomos até um café bar próximo, sentámo-nos numa mesa, ela pediu um café cheio em chávena escaldada e eu um Black Bushmills com água Castello e muitas pedras de gelo.

Debaixo de uma arcada
Enquanto aguardava-mos que o empregado nos trouxesse o que lhe tínhamos pedido, informei-a do motivo que me levara ali, ou seja do Chico do cais do Sodré esfaqueado no peito, debaixo de uma arcada do Terreiro do Paço. Esbugalhou os olhos, tremeram-lhe os lábios carnudos, não podia acreditar. Porém eu disse-lhe que fora assim mesmo, sem tirar nem pôr. Contou-me que fora amante do Chico, mas que acabara a relação porque ele era muito ciumento. Perguntei-lhe há quantos meses não se viam. Carregou o cenho, você está a considerar-me suspeita? Abanei a cabeça, nem sim nem não.

Entretanto ela roçara-me a minha perna e inclinara-se sobre a mesa, para me exibir descaradamente as mamas, nem sequer soutien trazia a mesmo tempo que me pestanava e me piscou o olho. Se você quisesse pois é um belo homem, poderíamos dar um salto a minha casa pois moro aqui perto. Disse-lhe que tirasse o cavalinho da chuva, pois a minha resposta era não. E voltei a ataca-la: há quanto tempo não via o Sodré? Vai para uns dez meses, mais coisa menos coisa. Agora acentuavam-se as minhas suspeitas. Inclinei-me para ela, dei um murro na mesa: matara-o mesmo, tou certo!?!?!? Não diga disparates, retorquiu-me a menina, mas com um olhar a modos que esgazeado, tremiam-lhe as mãos.

Julga-me burro? Sublinhei eu. Porque o matou? Eu não matei ninguém Muito bem, eu fico na minha e você na sua enquanto não chegar a Judiciária Mas ela estava assustada, mesmo assustadíssima e confessou-me que o assassinara pois o Chico começara a chantageá-la pois ela tinha um affair com um médico otorrinolaringologista lá do hospital. Saquei o meu mini gravador que estava na minha algibeira. Tinha tudo registado. Desatou a chorar, Não lhe liguei peva, pois não merecia que eu me apiedasse dela.

Nisto apareceu o Pintado que me seguira e tinha ouvido tudo. Trazia o mandato na mão, mas meteu-o no bolso. Você é um gajo fodido, um dia hei de apanhá-lo. Mas por agora, desande. Mais uma vez esta merda é uma porra! Repetiu a graça de me apanhar com as calças na mão. Cave. Imediatamente. Sou bem mandado e bem educado, por isso abri.

O Miranda deu saltos de contente e passou-me um cheque de zeros mais do que combináramos pois o primo fora um gajo bué da fixe, não lhe emprestara a massa, dera-lha. Despedimo-nos, combinámos um jantar num dia destes. Disparei para a nossa casa. Avisara a minha Tânia do desfecho final e por isso ela abriu-me a porta envergando um negligé quase transparente ou mesmo transparente. O Miguelzinho já estava deitado por isso fomos como era nosso hábito até ao vale de lençóis e de outra coisa encaracolada enrolá-mo-nos e etc. e tal. Daí que passados três meses o puto esperava um mano ou uma mana que oxalá viesse saudável.

Domingo, 19 de Maio de 2013


PASSATEMPO/CONCURSO
ATENÇÃO CONCORRENTES!

Regressado (s) da magnífica viagem de quatro dias às Aldeias Turísticas de Portugal (que correu muito bem e foi promovida pela AREP, Associação dos Reformados da EDP e da REN, venho, antes do mais, agradecer a quem me (nos) desejou uma boa viagem, e chamar a atenção a todas (os) que queiram concorrer ou que já enviaram respostas ao PASSATEMPO/CONCURSO sobre seis figuras proeminentes, que o devem fazer no quadradinho de comentário. Muito obrigado.

Esta nota refere-se principalmente àquelas (os) que já remeteram as respectivas respostas por imeile, a quem agradeço que procedam de acordo com o que fica aqui estipulado. E não se esqueçam que o prazo de entrega (repito no quadradinho de comentário) decorre até quinta-feira dia 22 desta semana.
Para todas (os) a melhor sorte

Quarta-feira, 15 de Maio de 2013


PASSATEMPO/CONCURSO
ADIAMENTO DO PRAZO DE ENTREGA DAS SOLUÇÕES

O prazo de entrega das soluções enviadas pelos concorrentes fica adiado para o dia 22 deste mês, porque vamos numa excursão partindo de Lisboa pelas 07:30 em frente do Jardim Zoológico, excursão que é organizada pela Associação dos Reformados da EDP e chegamos no dongo que vem, pelas 09:00,mais coisa menos coisa, aqui fica a justificação para o adiamento. Muito obrigado
Henrique

Sexta-feira, 10 de Maio de 2013





 ORA AGORA,VIRA

O diplomata
envenenado


Antunes Ferreira
O Médio Oriente, como todos sabem, é uma zona onde há guerras, assassinatos, execuções, atentados, infelizmente praticados quase todos os dias. É um barril de pólvora, é uma fogueira a que se deita qualquer combustível para a fazer alastrar, são foguetes que se disparam, são carros de combate de todos os formatos, tonelagens, granadas cada dia mais sofisticados, enfim. Hoje vou utilizar o nome de um pequeno País, inventado por mim, para que os verdadeiros (que são os beligerantes) não me ataquem a mim! (passe a redundância). E também podia ser que se virasse o feitiço contra o feiticeiro, ou seja que o atacado fosse o pequeno País. Já bastava o que bastava, e não se conseguia dizer basta! Enfim pensava eu que as pobres populações são quem sofre os piores momentos como em todas as guerras; oxalá os Homens aprendessem e cessassem todas as armas, mas desgraçadamente era bem ao contrário.

Este introito penso que todos o entendem; não é uma questão de medo (que tenho, se o não tivesse seria um inconsciente e um mentiroso), é antes uma prevenção e lá diz o ditado, homem prevenido vale por dois. Vamos agora ao que interessa; a estória do envenenamento de um diplomata desse pequeno País que inventei. Foi da embaixada dele que me comunicaram que o chefe da Missão, queria que eu lá fosse porque tinha acontecido uma coisa tremenda, Estava a tomar o meu café da ordem, acabava de o mexer com a respectiva colher quando o meu telemóvel tocou. Respondi que iria o mais depressa possível.

A Polícia Judiciária também fora chamada, o chefão era o Inspector Xavier Pintado que me encontrava dia sim, dia não, ou quase naqueles transes. Como já vos contei noutros episódios ele votava-me uma “particular admiração” o que me deixava nas tintas. Alegava que eu sempre estava no local e na hora errados, o cada vez mais o tornava pior que estragado, pois sempre eu revolvera os casos antes dele. Mas lá no fundo o mais profundo tínhamo-nos tornado amigos embora nenhum o confessasse; mas era assim mesmo. Que se havia de fazer? Talvez fosse o destino, talvez fosse o fado. E como este já fora considerado Património Oral e Imaterial da Humanidade pela UNESCO eu inclinava-me para ele.

O Médio Oriente
O embaixador já respondera a perguntas feitas pelo Pintado mas eu ouviu o também. Penso que gostou das minhas perguntas. Quanto às respostas dele, aí é que estava o problema. Disse-lhe que pensava ir até ao Médio Oriente para ver se encontrava um fio de ligação com o assassínio do primeiro secretário da Embaixada. Achou que eu era o homem certo e disse-me sem rodeios que a própria Missão me pagaria as viagens e os hotéis em que instalaria. E sublinhou que estes deveriam ser bons pois que a Embaixada e o próprio País queriam que ficasse nos melhores e com a finalidade da viagem entendia que eu seria homem para descobrir o mistério.

Ela por baixo e eu por cima..
Despedi-me da minha Vanessa em casa com licença de parto pois já nascera o Miguelzinho, um bebé que nos desvanecia, felicíssimos pela sua chegada ao Mundo, ainda que este fosse uma merda e as perspectivas para o futuro fossem nem sabíamos o quê. Despedi-me dela mas como a ausência devia ser mais ou menos longa, ainda fomos para a camara darmos umas coisas e mais outras também com entusiasmo e furor, ela por baixo e eu por cima depois divertimos-mo nos e etc. e tal e coisa tão empolgante que no final estávamos ambos suados por todos os poros. Depois foi a despedida muito difícil pois a minha Tânia queria muito mais. (Não entremos em pormenores despicientes digo-vos sem margem para dúvidas.)

Beirute; estragos
Já no aeroporto ainda me despedi da minha querida pelo telemóvel. Embarquei num aerobus e rumei até Beirute onde desci e fui para o Hotel Sheraton. Nesta parte da cidade as pessoas iam à praia, bebiam uns copos e sei mais o quê. Mas no outro eram os tiros, as granadas, feridos e mortos à patada. De resto sabia muito bem que toda a região era um drama também com todos os acontecimentos iguais. Dormi um bom sono para me retemperar e depois do pequeno-almoço, fui à Embaixada do pequeno país no Líbano e receberam-me muito bem. Estavam avisados do que pretendia deles. Para encontrar razões do que ali se passou fui à Líbia, ao Egipto, à Jordânia, ao muro das lamentações em Jerusalém e a Telavive e ainda ao Cairo. Continuei a averiguar e soube umas coisas catitas que me fizeram saber de certas actuações muito importante e cujo significado era-me evidente.
As estranhas ligações entre a Palestina e Israel

Falei com as autoridades (?) daqueles países e fui às embaixadas do pequeno País, mas também com as oposições, pois queria ouvi-las para tentar ser o mais independente possível. Em Beirute descobri umas ligações com Teerão e com a Argélia. Soube da conexão com a China, a Rússia e os Estados Unidos, um grande imbróglio com uns a fazer jogo duplo e vice-versa. Como já descobrira umas certas coisas sobre a Al-Qaeda que obviamente estava também metida ao barulho e não no Médio Oriente, mas também no Paquistão e no Afeganistão e em outras partes do globo terrestre. No bar do hotel em que encontrava hospedado, enquanto bebia um Black Bushmills e lia os jornais em inglês, pensei as estranhas relações entre Israel e os grupos terroristas como os Israelitas lhes chamavam e esses grupos sublinhavam ser patriotas e reivindicavam a independência da Palestina. O sucessor de Arafat Mahmoud Abbas era o
Mahmoud Abbas
novo Presidente da Palestina.

Enfim as coisas eram o que eram e que não havia maneira de lhes dar a volta, por isso voltei a dar uma olhada pelos mesmos Países que já visitara anteriormente para melhor compreender quem seria o chanfrado da tola que dera cabo do diplomata: por isso tentava tirar nabos da púcara, para ver se entendia aquele negócio o que representava meter-me em mais uma alhada. Porém tinha de o fazer, porque aqueles gajos não eram nada reinadios, muito pelo contrário. Foi em Trípoli que entrei num bar onde previamente me informara que havia um certo senhor que podia ajudar a somar uma parcela às que já tinha para ver se dava certa.

Num bar muito manhoso cheguei ao balcão perguntei ao barman se vira por ali o tal passarão. O homem olhou-me de viés e pergunto qual o motivo por que o inquirira. Saquei da minha carteira uma nota de vinte euros, ele olhou-a e fez que não com a cabeça. Juntei ao bolo mais vinte palhaços e mostrei-lhe uma nota de cinco paus. Os olhos arregalaram-se de tal maneira que o gajo depois de abarbatar os cinquentas, numa conta redonda muito confortável, piscou-me o olho ao mesmo que apontava com muito cuidado uma mesa onde estavam dois homens e eu só perguntei qual e ele sussurrou-me que era o da direita.

As bombas, as explosõe e por aí fora
Como se tratava dum tipo que negociava em armamento, dirigi-me como quem não quer a coisa, e os cidadãos carregaram o cenho e o tal da direita ia a perguntar qual o moti ao que eu respondi cortando-lhe a palavra se me podia abancar à mesa deles e comecei logo a sentar-me. O individuo, um tanto exaltado perguntou-me se era um chui, pois se o fosse, me ferrava com um copo nas trombas, sem tirar nem pôr! Respondi-lhe que não era nada do que suspeitava, só queria saber umas coisas. Sobre um misterioso motivo que metia veneno e a Embaixada de um pequeno País no Médio Oriente onde continuavam as guerras, as bombas, os atentados e por aí fora.

O outro parceiro levantara-se e mudo que nem um pássaro de pau. E o tal da direita, afinal era da esquerda, mas para o caso estava-me nas tintas. E repeti-lhe o que acabara de lhe dizer  sobre o veneno, etc. O filho da puta respondeu-me, e que tenho a ver com isso? E eu disse-lhe que queria que ele me dissesse o motivo de tanto sangue de um lado e doutro, se era das armas e se ele as venderia? Ele fingiu que não me entendera, que apenas gostava de um aquecimento, mas que se deixava esturrar. Parecia que estávamos a jogar à cabra cega, mas de repente ele descoseu-se: ó parceiro não metas o nariz onde não és chamado, mas lá que há guerras e tanques e bombas e atentados. Sobre o resto nem piu!

O veneno assassino como uma granada
Entendi perfeitamente o que me queria dizer ou melhor não dizer, levantei-me e nem paguei as bóbidas, que as pagasse ele, o grande sacana. Ele não gostou, obviamente, mas eu retorqui-lhe que a tia dele, provara e gostara e no fim engolira, sem insinuação, com o devido cuidado antes que parissem as moscas. Mas acrescentei que sabia que o arranjinho dele era o comércio do armamento e da guerra. O malandro não gostou do que ouviu, mas eu estava-me cagando pra ele, Bai bai. Fui para o Sheraton e após mais de três semanas de viagens, averiguações conversas e discussões comecei a pensar a voltar a Lisboa para informar o Embaixador do tal pequeno Pais de que tinha quase a certeza de como fora administrado o veneno e que só me faltava o nome do criminoso. E mesmo assim, talvez

Acreditava que me era possível deitar a fateixa a um certo homem. E foi o que fiz cerca das três horas da tarde. Tratava-se do Tesoureiro da Embaixada que surripiara uns bagos porque andava a fazer uma vida porreira, só que faltosa. O Primeiro Secretário desconfiara do desfalque e das falcatruas dele e só encontrara um caminho: um copo de sumo de laranja onde misturara uns grãos de arsénico e prontos, sem s. O Xavier Pintado nem sequer descobrira uma pista e por isso chegara ao fim do caso sem bisca nenhuma e, pior, tinham-lhe enfiado um barrete. Mais uma vez chamara-me sortudo, mas eu respondi que para ganhar a sorte grande, o primeiro prémio do Natal, el Gordo como lhe chamavam os nuestros vecinos era preciso comprar um bilhete da lotaria e ele esquecera-se disso. Foi-se embora o Pintado resmoneando sei lá o quê?

Desceu-me a braguilha agarrou-me no coiso
O Embaixador felicitou-me, pagou-me o pilim que fora entre nós acordado. E eu marchei para o nosso apartamento, onde a minha Vanessa dava o peito ao nosso Miguelzinho e depois o punha no berço. Calculam os leitores as boas vindas que ela me deu, pois as saudades já eram muitas. Primeiro ela desabotoou-me me a braguilha depois agarrou-me no coiso. Caímos na cama e o que se passou estava interdito a menores de 90 anos. Quando finalmente fomos dormir, foi um sono abençoado mas cansado da tamanha brincadeira entre os lençóis que até tinham caído da nossa cama

PASSATEMPO/CONCURSO

Entretanto continua a decorrer o PASSATEMPO/CONCURSO cujo limite tem a data de 15 de maio corrente. Recordo que os concorrentes podem continuar a enviar palpites para hantferreira@gmail.com. E não se esqueçam que as vencedoras e os vencedores têm de enviar a sua morada com o nome próprio e morada de correio para eu poder enviar-lhes os prémios que são como sempre as folhinhas indianas pintadas à mão.
Depois não digam que os bem a avisei…





Quarta-feira, 8 de Maio de 2013




Mais um PASSATEMPO/CONCURSO

Figuras diversas

Desta feita é quase um plágio ao Rui da Bica… Ao qual, peço de joelhos, perdão que tenho a certeza que ele vai-me perdoar, porque o Rui da Bica é um bacano! Trata-se, muito simplesmente de adivinhar seis figuras de algumas épocas. O caso não é difícil, basta ter olho e alguma atenção.

E vamos ao que interessa: os prémios

Que são construídos pelas já conhecidas folhas indianas pintadas. É preciso não esquecer que são miúdos que as fazem. O que não é mau, é péssimo. Mas o trabalho infantil é letra morta na Índia, infelizmente.

As respostas devem ser dadas até ao dia 15 do mês de Maio que está a decorrer. Lembro uma VEZ MAIS QUE ME DEVEM SER ENVIADAS PARA O antferreira@gmail.com AS MORADAS DE CORREIO E NOME VERDADEIRA DOS CONCORRENTES VENCEDORES. Depois não digam que eu não os avisei!...

Boa sorte a todos e por favor divulguem o concurso para a nossa Travessa ter, por efeito multiplicativo, ter mais concorrentes e já agora o procedimento é também para se obter mais (per)seguidoras e (per)seguidores.

E por fim vai um desejo: mu
ito boa sorte a todos!