Fazer Amizade com as pessoas é uma das melhores coisas do Mundo. E a blogosfera propicia isso. Mas também pode ser muito perigosa; logo, há que ter muito cuidado: somos muitos e convém não esquecer que os homens são todos iguais - mas há uns mais iguais do que os outros...

sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

O LANÇAMENTO DO CRÓNICAS DAS MINHAS TECLAS


Foi linda a festa, pá!

José Alex Gandum

F
oi linda a festa, pá! Até se ouviu o matraquear das máquinas de escrever, qual sinfonia de palavras que as sopas de letras transformavam em colunas escritas quantas vezes não com os dedos mas com a alma.


F
oi linda a festa, pá! E eu estive lá para saborear as palavras e os sons, os discursos e as emoções. E viajar à boleia de Crónicas debitadas quantas vezes mais com os sentidos que com as falanges dos dedos. E aquela velha máquina que encravava nem sequer encravou naquele final de tarde chuvoso.
 
O casal Valadares e o meu neto João
F
oi linda a festa, pá! Haverá coisa melhor que estar rodeado de histórias por todos os lados, contadas sem segredos, na tranquilidade de uma edição diária já fechada?

F
oi linda a festa, pá! Parem as rotativas para dar a notícia de última hora: é que foi linda a festa, pá!



ADENDA NOTICIOSA

Tal como estava previsto, o lançamento do Crónicas das minhas teclas decorreu anteontem pelas seis da tarde (mais coisa, menos coisa) no Salão Nobre do Palácio da Independência. O evento decorreu muito bem e posso dizê-lo, pois foram muitos os comentários nesse sentido.

Um único senão, que afinal foram dois, aconteceram, inopinadamente (e esta, hem?), melhor dizendo nem tanto assim. A saber: o desgraçado do velho pulha, portador das chaves
O administrador das águas
nas paragens celestiais e porteiro - a recibos eternos, (mod. 29875 A, das Finanças Paradisíacas , quarta nuvem à esquerda, para quem entra e à direita para quem sai) - do portão das supracitadas paragens, resolveu abrir as compotas, ups, com r, lá do sítio e provocou uma enxurrada quiçá maior do que a que obrigou o Noé a carpinteirar (alto, esse foi o José) a construir a arca. Se tivesse consultado amiudadas vezes a mentirologia, quer-se dizer, a meteorologia, a coisa tão teria tanto impacto aquoso.

Passe-se ao segundo:  Um clube de bairro, Benfica que até tem marcha no Santo António, tinha marchado para a URSS, travestida de Federação Russa (o que não é inteiramente verdade), com a finalidade de ganhar ao clube mais português (entre naturais e outros que por cá passaram). E que havia de dar? Marcar a partida para as cinco da tarde (TMG). Conjugando os dois factores resultou que em vez dos 249 bicos que tinham prometido e garantido irrevogalmente que assistiriam, apenas 123 cumpriram a promessa, o que na opinião de quem trabalha no Palácio não foi nada mau, pois o Salão Nobre acima mencionado encheu-se. 

A sessão decorreu, assim, bastante bem e com foi um verdadeiro prazer e uma honra ter tido a acompanhar-me gente tão extraordinária. Em suma, abriu-a o Editor, José Maria Roumier Ribeirinho (um bom amigo desde os tempos do DN) que em poucas palavras deu a... palavra ao Embaixador Francisco Seixas da Costa, também um grande amigo meu. Com o que disse deixou-me corado de vergonha, tamanhos foram os elogios sobre a obra e o autor. Exagerados ,no meu modesto entender, gentileza dele. Aplausos do público.

Entretanto, quebrando a ordem normal nestas circunstâncias, uma pessoa (cujo nome não vem para aqui chamado) alegando que tinha de despachar-se mais cedo, "você desculpe-me mas tenho um velório ou algo assim" pediu-me um simples dedicatória autografada e datada. Acedi. Não sabiam, porém, que esse singelo sim motivaria uma avalanche:
Fim da bicha/fila
os presentas desorganizam-se em bicha (politicamente correcto fila) e foram avançando para colherem a mesma fruta; uma vindima, enquanto fora felizmente a chuva que não era passageira inundava as zonas adjacentes (politicamente correcto regiões autónomas), Quase gastei a tinta e o aparo da minha Monteblanc. Feitas as contas por alto fiz mais de setenta dedicatórias acompanhadas de outros tantos autógrafos. 

Fechando a parentética sobre as assinaturas, refiro ainda que a finalizar a ocorrência falou o autor ou seja eu. A modéstia, o pudor e até a misoginia que são meu apanágio impedem-me de explicitar o que disse. Apenas posso referir que recebi sem nenhuma razão uma salva de prata, perdão, de palmas. Mas como havia ainda uns quantos cidadãos e cidadoas(*) voltei ao exercício da escrita nas primeiras páginas do livro. Sem garantir o número creio que foram mais quarenta e muitos picos. Tirando esses os outros assistentes bebiam uns copos: cálices de Porto de hora e flutes de espumante. Afortunadamente, ainda consegui mamar uma... A.F.

(*) Não é gralha nem erro do escriba que adora inventar palavras) 






terça-feira, 25 de Novembro de 2014

Amanhã éké

E prontos (sem s) amanhã é o dia D! Estou preparadíssimo para o lançamento do martel…, ups, Crónicas das minhas teclas.
Tenho a certeza de que todas Amigas e todos os Amigos vão estar lá para me acompanhar em momento de tanta felicidade para mim e penso que também para vocês.


E agora vou trabalhar


Caté 

segunda-feira, 24 de Novembro de 2014




Nova informação

INFORMO QUE, TAL COMO FOI ANUNCIADO, DEIXO AQUI DUAS ALÍNEAS:
1)   Relembrar a data e o local do lançamento: Dia 26, quarta-feira, pelas 18:00 – seis da tarde - no Palácio da Independência, no Largo de São Domingos. O palácio tem a frontaria virada para o Rossio.


2)  Num verdadeiro rasgo de genialid… ups, generosidade, o autor modestamente, como é seu apanágio, permite-se juntar ao Porto de Honra, (iniciativa do Editor), uma taça de espumante, num rigoroso e exclusivo envio directo do produtor para o supra citado autor (via supermercado cujo nome não indico por mor da lei da Publicidade) No entanto, permite-se o autor chamar a atenção para
a)  Se conduzir não beba e vice-versa;
b)  No caso de beber, faça-o comedidamente, pois embora o espumante seja suficiente, às vezes (lagarto, lagarto, lagarto) poderá desaparecer enquanto o diabo esfrega um olho.
Com os melhores compriment…, ups, cumprimentos

O autor 


quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

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GENTAMIGA


Já saiu o Crónicas das minhas teclas e até já tenho o primeiro exemplar. Estou feliz; depois da trabalheira e confusões,  o parto foi sem dor…

AF

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terça-feira, 18 de Novembro de 2014

 DO QUOTIDIANO


Ai Manel

Antunes Ferreira
S
entou-se na beira da cama e no escuro para não acordar as companheiras do lar tacteou com os pés tentando encontrar as chinelas. Encontradas, enfiou-as e, firmando-se bem (não tinha à mão a bengala que estava aos pés do leito) levantou-se tenta-não-tenta e arrastando-as em silêncio foi apanhar o bastão sem o qual já não passava. Não precisou de mirar o relógio-despertador comprado numa loja chinesa: eram quatro e meia, hora em que sempre, mas sempre, ia à casa de banho para urinar.

E
nquanto ia ensaiando os passos numa coreografia do negrume, agradeceu aos céus porque finalmente se libertara da algália e da arrastadeira e do trambolho onde estava pendurado o saco do soro que ela tinha usado qual cordão umbilical ao reverso. Estava cansada de tamanha guerra, de tantas batalhas, de tantas seringas, de tantos bisturis. A operação, segundo-lhe dissera  o médico tinha corrido bem e daí a três dias voltaria para casa.

C
asa? Há um ror de tempo que não a tinha, chegada aos oitentas a filha mais nova fora encurrala-la no lar de Santa Filomena, internada com pensão completa, quarto só para uma senhora, casa de banho anexa, janela para a rua, “fica bem instalada, não se preocupe, nós cuidamos dela com todo o carinho e atenção que baste. O nosso médico vem cá uma vez por semana, mas se houver urgência não há problema, ele dorme cá”.
 
E até os netos virão visitá-la
G
ina agradecera à directora que assim lhe dissera, dera-lhe um beijo, “minha mãe esteja descansada, eu ou o Jorge e até os seu netos vimos visita-la e vai passar os fins-de-semana a nossa casa”. A filha dera-lhe dois beijos, um em cada face e o genro também lhe dera um, “fique bem, esteja sossegada, está entregue em boas mãos e aqui tem com quem conversar, o lar é excelente e…” “E a minha casa?” Gina elucidara-a que os irmãos tinham-se reunido e decidido vende-la, restava muito velha tinham arranjado um comprador que lhes oferecer um preço jeitoso. E só faltava irem ao notário. Virgínia não comentara. A filha também assim se chamava mas era conhecida por Gina.

Q
uando era uma jovem bonita – o espelho dizia-lho quando a reflectia – o seu falecido Manuel (para ela Manel) chamava-lhe Guidinha. Há quanto tempo isso acontecera, embora o fizesse todos os dias? Vai para muitos anos acompanhara-o ao cemitério dos Prazeres, no meio da sua tristeza quase se rira com o nome dos Prazeres… Um cemitério com tal nome lembrava-lhe o Palácio das Necessidades onde estavam os Negócios Estrangeiros…Outros tempos, outas modas, outros nomes.

E
ntrada na casa de banho, acendeu a luz e sentou-se na sanita para incapacitados
Para incapacitados...
– tinha piada os espanhóis chamavam-lhe “taza” – e procurou a revista que estava no bidé, sabia que demorava a descarregar a bexiga que estava como ela gasta de tanto uso. Os netos diziam “fora do prazo de validade”, também ela se encontrava nesse grupo, não era como os remédios que tomava ao longo do dia. Comprimidos, injecções, xaropes e cápsulas de todas as cores e feitios. Vida mais do que madrasta. Não enganava ninguém a desgraçada, com o esqueleto da morte pousado no seu ombro empunhando a foice para o final de cena. Era triste ser velha
.

H
á uns bons anos, quando começara a aparecer-lhe a artrite e a osteoporose, pedira ao neto mais novo, o Chiquinho, para lhe apanhar os óculos porque ela não o conseguia fazer, estava velhota. E o miúdo respondera-lhe “a avó não é velhota, é idosa…” Mas, não trouxera os óculos de ver ao perto. Por isso levantou-se e foi chinelando ao quarto onde na mesinha de cabeceira eles se encontravam. Sentou-se um bocadinho na beira da cama para descansar; ultimamente dava-lhe uma moleza, um cansaço, nem conseguia explicar o que sentia quando o Dr. Bentes a visitava.

D
epois regressou aos “servicios” como diziam os nuestros hermanos. Estranho, para o que lhe havia de dar? Pela calada da noite sentada na retrete fazia reviver coisas armazenadas na cabeça. Por vezes há recordações que não se justificavam, nem sequer em momentos estranhos. E, pairando como uma nuvem por cima da memória dava com ela própria, o Manel e a Gina na plaza de Conquistadores
Em Badajoz
passeando e “mirando las tiendas en busca de escaparates”, as coisas eram mais baratas a peseta estava a cinco tostões era a sequela da Guerra Civil, para além das casas ainda esburacadas, igrejas truncadas, palácios amputados da sua anterior grandeza imperial com uns brasões descarnados.

T
inham ido muitas  vezes a Espanha – España rezavam as placas na fronteira – para comprar caramelos e mais umas coisitas. Na raia os guarditas calçados com sapatilhas de sola de corda. pediam cigarrillos aos portugueses. Partiam um cigarro português em quatro partes e enrolavam-nas em papel de jornal, Com um maço de “Três Vintes” ou de “High Life” ninguém se preocupava com algum, pequeno, contrabando, se é que se lhe podia chamar assim. A miséria era tamanha no país vizinho que tudo ajudava, nem que fosse “cualquier cosa” para dar umas fumaças. Não era corrupção, era sim a  sobrevivência de uma gente sem esperança, sem dinheiro, sem comida, sem casa, sem vestuário, sem nada.

E
ra uma verdadeira aventura ir a Badajoz a cidade onde decorrera a horrível matança perpetrado pelos mouros de Franco, na plaza de toros. O Austin do pai Manel muito bem se safava, um tanto aos solavancos, as estradas eram más, ia ultrapassando Montemor, Arraiolos e por aí fora até Elvas onde paravam para a Gina fazer xixi e beber água de Carvalhelhos de que o pater família usava e abusava. Depois era a fronteira, uma estrada muito estreita para que, segundo o Salazar, os espanhóis tivessem dificuldade em entrar em Portugal; nunca fiando…Para a comidinha era Badajoz com unas tortillas, unas tapas e una paella sin casi
Una paella
nada
; nesses tempos conturbados ainda havia muita fome em Espanha portanto salpicón de marisco ou pimientos de piquillo rellenos, riñones al Jerez nem valia perguntar se havia. Callos sim, mas ela não gostava muito de dobrada.

D
ormiam no hostal Segovia, era barato (não sendo ricos também não eram pobres, uma classe média abonada) e mais ou menos limpo e a Doña Esperanza já os conhecia: “¡Hola!  Otra vez por aquí, me gusta veros y saber que pasan bien. La salud es lo más importante, decía mi Eulálio. La chica se cuidaba cada vez más. ¿Cuando regresan a Portugal? ¿Han hecho muchas compras? ¿Cómo no? Seguro que las hicimos e bla, bla, bla. Quando havia tempo, o Manel ia à tourada, hoy torean Manolete y Luis Miguel Dominguin, diziam os cartazes e o pai corroborava, só faltava o Manuel dos Santos que os levava a Espanha, corriam-na na sua peugada que nem galgos atrás duma lebre.

M
as estava mesmo muito cansada. E farta de recordações. E cheia do lar até à ponta dos cabelos. Cabelos brancos e esmaecidos, que tinham sido negros como asa de corvo, escovados a preceito, franja, “pareces a Beatriz Costa”, “ó homem deixa-te de balelas” e o dueto terminava já dentro do quarto, “cuidado que a Gina pode estar acordada…” num jogo de pernas, de braços e do resto, em beijos lascivos e provocantes, a língua dele percorrendo-lhe os mamilos intumescidos “ai amor que me matas…” baixando suavemente para o ninho que tinha entre pernas e os lábios dela

Ai  amor que me matas...

abertos para o engolir, até que ele a penetrava e ela gemia “ai Manel que bommmmm…” A Gina dormia no quarto ao lado sem se dar conta da peleja amorosa. E, de seguida,  voltar a vestir a camisa de noite e ele o pijama com linhas aos quadrados.

N
ão conseguia urinar e não sabia porquê. Mas a moleza persistia, talvez fosse do frio, estava mesmo muito frio, estava gelado na casa de banho. Encostou-se para trás ao autoclismo e segurou com mão trémula o cordão, que logo se soltou. O frio ia aumentando, devia ter ficado na cama, mas agora parecia-lhe que era tarde. Tarde e escuro. O roupão desfraldava como se fosse uma bandeira, mas ela só sentia o gelo que se acumulava à volta dela e da sanita. E era apenas o começo de uma longa viagem, por entre brumas e ondas encapeladas, a caminho da terra do não sei onde. “Ai Manel…”

D

e manhã, a Branca, a preta angolana empregada da limpeza, aiué, o calorífico estava no máximo, uma sauna, dera com ela já rígida, sentada na retrete e encostada ao autoclismo. 


    

quarta-feira, 12 de Novembro de 2014

MALDITA AZIA





Antunes Ferreira
N
o meu modesto entender a castanha é quase o único membro do reino vegetal que é cornuda. E ainda por cima é lésbica, porque quem a atraiçoou foi a batata. Convém explicar a afirmação, porque já vejo rictos de censura e de interrogação nos rostos da gente que (ainda) me vai lendo. Para não dizer que comentários tais como “o gajo passou-se”, ou “por ali deve andar ganza”, ou ainda “o pulha tem os braços todos picados” são um tanto exagerados. Há ainda os que preferem concluir que estou “chanfrado” ou que “no Júlio de Matos o deixaram sair como externo, o que é perigoso”. Posso garantir à fé de quem sou que não papo isso, muito antes pelo contrário.

S
ocorro-me uma vez mais da Wikipédia sem a qual seria para mim o cargo dos trabalhos. As castanhas são os aquénios do ouriço
O ouriço com castanhas
, o fruto capsular epinescente do castanheiro-da-europa. Presume-se que a castanha seja oriunda da Ásia Menor, Balcãs e Cáucaso, acompanhando a história da civilização ocidental desde há mais de 100 mil anos”.
Ora o aquénio “é um tipo de 
fruto normalmente seco, com origem em um ou maiscarpelos, indeiscente, portando normalmente uma semente. Em Moraceae, os aquênios podem ser carnosos”.

E
, mais à frente pode ler-se que “Consideradas, actualmente, quase como uma “guloseima” de época, as castanhas, em tempo idos, constituíram um nutritivo complemento alimentar, substituindo o pão na ausência deste, quando os rigores e escassez do Inverno se instalavam. Cozidas, assadas ou transformadas em farinha, as castanhas sempre foram um alimento muito popular, cujo aproveitamento remonta à Pré-História.” De acordo com historiadores diversos, como por exemplo  Francisco J. B. Reifschneider, ela foi substituída pela batata que os tais navegadores espanhóis trouxeram para a Europa

P
eço o favor aos mais interessados - em caso de dúvidas quanto à terminologia - que consultem um dicionário competente e se possível com a botânica bem tratada e, consequentemente explicada. Os sinónimos não adiantam muito. Porém, a explicação dos cornos adquiridos pela castanha tem de se fundamentar em razões histórico-cientificas. Porque nestas circunstâncias todos os cuidados são poucos e não nos podemos esquecer que a verdade é como o azeite, vem sempre à tona da água. Para tal, volte-se de novo à bendita Wikipédia.

Muitos nomes tem a batata

Batata, batata-inglesa,  papa, escorva ou semilha (Solanum tuberosum) é uma planta perene da família das solanáceas. A planta adulta geralmente tem entre sessenta a cem centímetros de altura, possui flores e frutos e produz um tubérculo comestível rico em amido, um carboidrato. Os nomes podem referir-se tanto ao tubérculo comestível quanto à planta como um todo. A espécie teve origem na Cordilheira dos Andes, próximo ao Lago Titicaca, e foi levada a outras regiões do mundo por colonizadores espanhóis. Actualmente são cultivadas milhares de variedades da espécie em todos os continentes e está inserida como um alimento fundamental na cultura mundial”  

C
astanha é um substantivo feminino; batata também o é. Esta substituiu aquela, ou seja, atraiçoou-a. Então já perceberam por que razão a castanha é cornuda. E que se trata de um problema entre duas fêmeas, donde a utilização do termo lesbianismo. Há, porém outros casos entre as plantas onde o homossexualismo é uma constante. Exemplifico: o trigo e o milho que em certos casos (mito poucos) até coabitam. Veja-se o caso do pão de mistura. Isto apesar de se saber que o milho também tentou enganar o trigo, mas não se safou.

E
ntre a espécie humana são cada vez mais frequentes e maiores as traições e as navalhadas pelas costas. Voltamos, portanto, aos cornudos ao longo da História; mas essa é outra estória. Quando nos referimos a pais enganados há casos bem identificados como  seja o do carpinteiro José casado com a virgem Maria. O Evangelho segundo Mateus (16.19) diz que ele é o “esposo de Maria” enquanto Lucas (3,23) lhe chama “o pai putativo de Jesus.” Geralmente, aponta-se que Maria concebeu sem pecado por intercepção do Espírito Santo.

 
Já foste...
C
laro que não se trata do Grupo, muito menos do Banco que agora é Novo. Obviamente que é o terceiro membro do que na Terra usam chamar Santíssima Trindade e que no Céu é mais o Conselho de Administração celestial. É bom que se diferenciem as palavras, nos dias que vão correndo com uma crise danada mais a austeridade [e mais austeridade, de acordo com a Troika que achou que o (des)Governo se desleixou e não sacou mais pilim aos tugas]. Ricardo (muito) Salgado afirmou que havia um conluio contra ele e entretanto emalava milhões.

M
as, volte-se à estória dos cornos: Não são apenas os homens “armados”; as mulheres também o são. Contaram-me que recentemente na cidade de Bulawayo, a segundo do Zimbabué, uma senhora de seu nome Nonkaziemelo Dube, ao fim de 20 de casamento, o marido que era empresário ia para a cama deles dar umas pinocadas com a sua secretária muito particular, a menina Kombayolama, de 18 aninhos de idade; a chifruda não esteve com meias medidas: capou o marido de 62 anos e deu tal tareia na jovem amante que a mandou para o hospital, donde transitou para o cemitério da cidade. A senhora cornuda foi absolvida.
 
Cláudio cornudo 
César
E
m Roma era frequente a prática da cabeça ornada de chifres. Durante 120 séculos se contou que o imperador Cláudio César -  que ficou emparedado entre dois dos maiores criminosos da cidade, Calígula e Nero – era retintamente corno. E ele sabia, mas disfarçava. A terceira mulher dele, Messalina, deitava-se (e não só) com tudo o que era macho latino, pelo que  Cláudio não foi de modas: mandou-a matar. Mas continuou a ser cornudo até morrer.

Q
uando aborto, chiça, abordo o tema, vem-me de imediato à cabeça uma estória bem conhecida, mas, apesar de o ser, tem sempre a sua graça. Os bois para efeitos de comercialização e outros, dividem-se em três categorias: os que se exportam, os que se importam e os que não se importam. É mais velha do que o cagar de cócoras, bem sei; mas deu-me praí e estou-me borrifando para quem me apostrofar. Um homem tem as suas fraquezas.
 
As primeiras... 
P
orém, retomo a estória da castanha e da batata que andaram realmente à batatada e a castanha utilizou o ouriço de onde viera como arma de batata, perdão, de batalha, contudo o tubérculo venceu. Começou aí uma nova estória com diversas opções: frita, aos palitos ou às rodelas, palha, tipo pacote cujo primeiro nome  era Pála-Pála, que foi a primeira marca no nosso mercado; cozida, assada no forno e dizem que é prima da batata-doce, mas parece que não é verdade. Rumores.

Q
uanto à castanha? Derrotada, mas não convencida, empinou-se: desde a cozida com erva-doce, passando pela glacé, até chegar à pilada, pelo meio acompanhando alguns assados de carne e cozinha chinesa. Mas o auge da glória é mesmo a castanha-assada que desde o começo do Outono vai pelas ruas do país onde a assam num… assador,  inserido num carro com brasas. E apregoam “Quentes e boas!…” Agora vendem-se em embalagens uniformizadas por Bruxelas; acabou-se a papa doce dos cones feitos das páginas das listas telefónicas, brancas ou amarelas, à escolha do freguês...

E
sta estória das directrizes e das normativas da União Europeia é tramada. São as maçãs que por terem dimensões diversas têm de passar pelos diversos crivos; de igual modo são as laranjas e mais frutas. De cocos, melões e melancias nada consta. Muito menos de bananas.
Banana não tem caroço
(Permitam que abre aqui uma parentética: na tropa, durante as marchas cantava-se - com a permissão dos comandantes de pelotão e da companhia – “Banana não tem caroço, não tem caroço, não tem, não tem. É como a carne sem osso, não tem caroço mas sabe bem”)
F

echada a parentética volto á malfadada União Europeia. São os azeites que têm de vir embalados para a mesa dos comensais, assim como os vinagres, as pimentas os sais e até os palitos. O que significa que o velho e tradicional galheteiro foi-se. E quando ainda aparece tem de andar encapsulado, como se fosse uma camisinha…

T
odavia, tenho de reconhecer que entre uma e a outra das contricantes como dícen nuestros hermanos (hermanos uma porra!) isto é, entre a castanha e a batata, prefiro as massas, os esparguetes e os cotovelinhos, as mangas de capotes, os macarrões, as estrelinhas as pevides e mais; as italianas são um primor: linguini, tagliatelle, fusilli, penne, gnocchi, cellentani, ravioli, garganelli, rigatoni e outras. Para não falar nas pizzas que hoje correm o Mundo, ao lado do spaghetti. Quanto às outras ma$$a$ elas vão diminuindo quotidianamente de tal maneira que nos bolsos dos cidadãos reina o cotão. Ai os nossos primeiros, sorjas nos abarracamentos de Belém e São Bento



...assadas com o cone de jornal

P

ara o principal membro – ou se quiserem a principal membra – do mundo botânico que tem cornos, ou seja a castanha, bom é que continuem a assa-las. No fogareiro respectivo, com abanador em punho e as novas embalagens made in UE. Com nevoeiro a preceito, como o D. Sebastião, ainda ficam melhor. Mas, cada vez mais elas estão caras; caríssimas. Não consigo saber o porquê desse aumento de preço, tal como os impostos, em perfeita contradição da diminuição dos salários e das pensões. Coisas dos Srs Passos e Portas e da Dona Marilu que é fogo! Ora o fogo apaga-se com a água, e no Verão de São Martinho com água-pé e jeropiga.   

sexta-feira, 7 de Novembro de 2014

Tékinfim…


O lançamento do meu novo livro Crónicas das minhas teclas vai realizar-se no dia 26 deste mês, quarta-feira, pelas 18:30/19:00 no anfiteatro (salão nobre) do Palácio da Independência (Largo de São Domingos, 11 em Lisboa). A obra será apresentada pelo Embaixador Francisco Seixas da Costa, tal como já havia sido informado. Oportunamente serão enviados os convites para o evento, embora todas as Amigas e todos os Amigos fiquem desde já convidados – informalmente. Será com grande prazer que o editor José Maria Roumier Ribeirinho e eu próprio as/os acolheremos. Se o quiserem e puderem fazer, tragam também as vossas Amigas e os vossos Amigos. Todos serão bem-vindos. Obrigado
Antunes Ferreira

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E ai de quem não comprar em pelo menos 25 livros… São prendas excelentes para Aniversários, Casamentos, Divórcios, Baptizados, Primeiras Comunhões, Velórios e é claro Natal, Ano Novo e Páscoa e outros não especificados…