Fazer Amizade com as pessoas é uma das melhores coisas do Mundo. E a blogosfera propicia isso. Mas também pode ser muito perigosa; logo, há que ter muito cuidado: somos muitos e convém não esquecer que os homens são todos iguais - mas há uns mais iguais do que os outros...

sábado, 1 de agosto de 2015

Não sou o autor deste texto 
e nem sei quem é. Só sei
 que me foi enviado
 por um Amigo comentador
desta TRAVESSA. 
Porém, como se diz no texto
também sei que ele
 foi divulgado pelo jornal
 alemão “Bild” (especializado
 em escândalos, crimes
 e fofocas com “celebridades”.
 Mas onde é
que eu já vi isto?
 Talvez no CM )
 que tem uma tiragem
 de mais de um milhão
 de exemplares.. 
Como disse
o Pilatos
(por favor não confundam
 com uma prática
de ginásio.) lavo
daqui as minhas mãos

ESTÓRIA REAL
Homem falha ao tentar engravidar mulher 
do vizinho...


Um homem, que vive na Alemanha, foi processado por não conseguir engravidar a mulher do vizinho, depois de ser contratado para isso por dois mil euros .
Demetrius Soupolos e a mulher, Traute, queriam ter uma criança, mas descobriram que Soupolos não poderia ter filhos. Por isso, decidiram contratar o vizinho Frank Maus, na esperança que o homem casado e com dois filhos pudesse engravidar Traute. A informação foi divulgada pela publicação alemã ' Bild '.

Contratar o vizinho Frank
Depois de seis meses e nenhuma gravidez – com uma média de tentativas de três vezes por semana – Soupolos insistiu para que Frank Maus passasse por exames médicos. Os testes mostraram que o vizinho também era estéril. Por isso, a mulher de Maus foi obrigada a admitir que as duas crianças não eram dele.

Agora, decida o que é pior:

1) Contratar um gajo para comer a sua mulher por seis meses...

2) Ir à justiça pedir uma indemnização a um gajo que comeu a sua mulher por seis meses...


Estéril? Grávido...


3) Descobrir que  é estéril, enquanto tenta engravidar a mulher do vizinho, recebendo para isso...

4) Descobrir que os dois filhos que tem não são seus...

5)
“Cornear” o vizinho e descobrir que já foi corno, no mínimo, duas vezes...

6) Ser denunciado à ASAE pela má qualidade do serviço prestado...

7) Ter que devolver o dinheiro e assumir ser corno...

8) Todas as respostas anteriores?


NE- Safa! Que bela enrascadela


quarta-feira, 29 de julho de 2015


UM DIA OU OUTRO
WC 
e grafiti



Antunes Ferreira
A
s portas dos WC de híper, super/mini mercados e outras são férteis em textos ali colocados por amantes de grafiti e de literatura mais ou menos adequados ao local. Pelos vistos, nós, os Portugueses, para além de poetas, também somos escrevinhadores de alto coturno quando satisfazemos as necessidades. Uma parentética: (por que bulas o Ministério dos Negócios Estrangeiros está situado no Palácio das ditas?) Feche-se o parêntese.

Sem legenda



N
aturalmente o lado da porta utilizado - para expressar angústias, e outros estados pessoais/emocionais  e até propostas para os utentes, algumas com a profundidade expressa, mesmo em temos menos cuidadosos, ou palavrões. Desde os cavalheiros que se oferecem para satisfazer desejos sexuais diversos, indicando o número de telemóvel para os mais apressados: levo no… 991 888 777; fasso  bro… que é o melhor do mundo 980 233 545 qualidade garantida. Deslocu-me a caza do qliente, não pagar a deslocação 990 655 789. Se não ficarem sastifeitos devoulvo a maça. Sem grande respeito pela ortografia e renegando o famigerado Acordo.

Há ainda os desgraçados...



P
orém há ainda os desiludidos da sorte e da vida que avisam vou-me atirar da ponte Salazar, adeus mundo cruel, Tenho tentado registar esses desabafos e como não me interessam as propostas já mencionadas, fico a pensar nesses desesperados que avisam previamente que se vão suicidar e finalmente não vão nem ao jardim-da-celeste. E além do mais, podem ter a certeza de que não acredito no Pai Natal.


N
o entanto também os há dos apaixonados habitualmente desenhando (mal) um coração dentro do qual escreveram, minha hamo-te até à morte, ou mesmo adouro-te João, estou à tua dispozissão para tudo, e declarações semelhantes. Um dia as empregadas da limpeza e até mesmo os gerentes munem-se de uma lata de tinta alaranjada e fosca, pincel ou brocha e borram aquilo tudo, o que não admira pois estão a borrar-se para os grafitis.  Mas os autores cuja persistência e vigor são de louvar voltam ao local do crime e lá começa a pescadinha de rabo na boca.

Também sem legenda



T
alvez  já tenham visto que os poetas (muitos somos, quase nove milhões) também entram nas retretes e escrevem: Neste lugar solitário; onde a vaidade se apaga; todo o cobarde faz força; todo o valente se caga. Se já conheciam peço as minhas mais sinceras desculpas. E para finalizar compreendam, se fazem favor, que sobre os WC para as senhoras e meninas não digo nada: Compreende-se, não habia nexexidade.


quinta-feira, 23 de julho de 2015




UM DIA OU OUTRO

Sobre a poda

Um bom Amigo e comentador da TRAVESSA e a partir de agora colaborador, enviou-me o texto que vai em baixo. É brabo, mas os trocadilhos que contem abundantemente dão-lhe um sabor muito especial. Por isso acho que tem muita piada. Todavia, as/os comentadoras/res têm, como sempre, uma (ou mais) palavra a dizer sobre ele. O que se pode entender nas entrelinhas pode causar alguma perplexidade a quem o lê e até reprimenda ou, em caso mais grave, a censura. Da minha parte, sabe-se que escrevi inúmeras vezes para essa sinistra actividade, nunca a faria. Já estou a antever críticas que podem roçar o erotismo ou até a pornografia do artigo; porém não se trata nem de uma coisa nem de outra Veja-se a subtileza que aqui subjaz. E, para além disso corresponde a pedidos insistentes sobre a necessidade da TRAVESSA inserir artigos curtos. De acordo com quem mo enviou (que solicitou que não fosse pulicado o nome do autor e apenas as iniciais dele, M.P., remetente, que só mo fez chegar *as mãos) vamos aproveitar o bom tempo e seguir as instruções. Bom trabalho!


A precisão duma boa poda
"Existe  uma diferença substancial entre uma poda verdadeira e uma poda artificial, ou seja, entre uma boa poda e uma má poda. A poda pode ser dada de três formas distintas:
 - a poda por cima;
 - a poda por baixo;
 - a poda de lado.
 O acto da poda não é sazonal; pelo contrário, pode e deve efectuar-se diversas vezes, de acordo com as previsões do agricultor. Atente-se, no entanto, que uma má poda pode constituir motivo de divórcio... entre o agricultor e o pomar. Também se deve evitar uma poda violenta, a chamada poda "escacha-pessegueiro". Quem não percebe de podas, deve recorrer aos técnicos florestais e nunca a amigos ou vizinhos que são, por vezes, autênticos empata-podas. A poda mecânica é muito inferior à poda natural, e a Árvore, muitas vezes, disso se ressente . O que não signifique que uma boa poda dê necessariamente em fruto.

É um facto constatado que a Árvore só se satisfaz e, consequentemente, medra depois de uma boa poda. Importa, no entanto, não confundir com a chamada poda de medra. Como é do conhecimento geral, nenhuma Árvore se contenta nem com meia poda nem com uma poda à pressa; por outro lado, é sabido que a Árvore não frutifica se a poda for lenta demais e também que as más podas trazem como consequência o crescimento de galhos nas copas das árvores.
O cuidado com que se poda

Sr. Agricultor:

 Lembre-se que não há nada como uma boa poda.
 NÃO PODE EM DESEQUILÍBRIO. PODE EM SEGURANÇA.
 A segurança depende muito de nós. Devemos estar sempre atentos e em bom estado de espírito ao iniciar o trabalho, por mais simples e inofensivo que ele nos pareça.” 
_____________

NR - O autor do texto está-se marimbando para o acordo ortográfico!


sábado, 18 de julho de 2015

QUEM SABE SE? (5)



Antunes Ferreira

P
ensão Olivença: os dois angolanos estudavam, sem grande proveito, o problema do teste de paternidade; se o aceitavam estava descoberta a marosca, pois apenas tentavam sacar uns euros ao Vicente e à Etelvina; se não o aceitavam pior, pois os gajos do Lar trepariam pelas paredes e chamar-lhes-iam aldrabões de alto coturno (que era a pura verdade); puta de alternativa, sairiam sempre lixados.
 

P
orém ainda tinham dois dias para analisar o que fariam. Só podiam contar com eles próprios: Cambuta nem vê-lo. Ligavam para o escritório e a secretária informava que o doutor não estava. No primeiro dia de expectativa até tinha atendido uma senhora (devia ser da firma que fazia limpezas em vários escritórios, armazéns, standes de automóveis, etc.) que dissera que o dótor mandava dizer que não estava. Pulha! Até que, finalmente, o homem atendeu.




A
ndara a tentar encontra-los (o tipo mentia com todos os dentes que tinha na boca!...) para lhes comunicar que deixara de ser o parceiro da firma, que por isso passara a denominar-se provisoriamente Magalhães, Rodrigues e outros  o boss dissera-lhe que estavam a tentar encontrar outro causídico para sócio, naturalmente em Lisboa e que além disso tinham estendido a sua actividade a Maputo, Bissau e Dili, onde também residiriam representes, desta feita não sócios.

Dili, capital de Timor Leste



P
ortanto, para ele estava o caso encerrado. Matilde engrossou a voz e então quem trataria deles? Para já não sabia; mas quando o informassem entraria de imediato com eles. Foda-se, você seu paneleiro enfiou a rabo entre as pernas e bazou! E nós a ser enrabados!... Cambuta desligara o telemóvel sem sequer dizer adeus. E agora? Que fariam? Estavam metidos num colete-de-forças, só lhes faltava ser internados no Júlio de Matos. Ce este, mama? Este nebunia, Vicente, este nebunie şi lasă daft întrebări! (1)

Era um pandemónio...




N
a manhã seguinte a secretária do Cambuta telefonou para informar que o sucessor era o Dr. Colaço, goês, e indicou-lhe os dados dele para o poderem contactar. Colaço já estava alertado. Matilde bateu à porta do quarto do filho e como não tivesse resposta tentou entrar empurrando a porta que não estava fechada à chave, apenas na lingueta. Qual não foi o seu espanto: Vicente João não se encontrava, o quarto era um pandemónio até o colchão e o travesseiro estavam rasgados!


C
om uma voz estridente berrou por auxílio, por ajuda, o que fizeram ao meu filho? Mãos tapando os olhos, a mulata enchia a pensão com o vozeirão enquanto lhe corriam pela cara lágrimas de fel. A empregada da limpeza com o balde e a esfregona nas mãos entrou no burburinho, acudam, ai Deus me valha, acudam! O gerente subiu a escada a quatro degraus, mas que se passa? Porquê tamanho pranto? E que gritaria? E os outros hóspedes que diriam do alarido?!


A
 porta do quarto ao lado abriu-se de escantilhão e saiu uma “donzela” com o vestido e a roupa interior na mão, descascadíssima ate ao cocuruto, sapatos altos na outra, adeus filhinho até depois, já levo a massa…. Entretanto de dentro do quarto um senhor entradote, careca e barrigudo bradava, espera aí Alicinha, aguenta os cavais!, mas ela desceu as escadas, que nunca até à data tinham tido tanto tráfego, e ala que se faz tarde na motorizada de um cúmplice,

Sem legenda
deixando o homem com as calças na mão. Melancólico e suspeitoso o cidadão apanhou o casaco que caíra para o chão, apalpou o bolso interior e, a filha de uma carrada de putas roubara-lhe a carteira! Mais uma contribuição para o sururu!  


O
 gerente recomendou calma, já veremos o que se passa, vamos mas é à vida que a morte é certa!... Filho da mãe regougava a Matilde, calma? Com o meu filho desaparecido do quarto, calma uma merda! Mais uma porta de outro quarto, (eram sete, e um para as arrumações) abriu-se e um casal seminu, ele com um preservativo enfiado no local indicado, porra!, já nem pode um homem dar uma queca, com tanto cagaçal… Paguei o meu quarto logo que chegámos ao balcão da entrada, tenho direito à privacidade e ao sossego!


N
o meio de tamanha aflição, o gerente nem se deu ao trabalho de recordar que à entrada da sua pensão havia um letreiro, ALUGAM-SE QUARTOS COM CASA DE BANHO PARA PESSOAS DECENTES. OS HÓSPEDES SÃO PROÍBIDOS DE LEVAR PARA OS QUARTOS COISAS PARA COMER E BEBER a que um galdério qualquer tinha acrescentado a tinta vermelha e num cursivo titubeante um in antes da palavra DECENTES do anúncio. Estava feito, viria a polícia que tinha o estabelecimento debaixo de olho, e o chefe da esquadra só aceitava para fechar os olhos qualquer coisa para cima dos mil euros… Não falando dos agentes. Enfim, corruptos.


O
 bando desceu as escadas que maldisseram da sua sorte, isto era um sítio tranquilo e agora acabou-se… Felizmente que a maioria dos vândalos calçava chinelos de quarto, senão lá se ia a cera. Saíram à rua, qual marcha de Santo António, mas sem os arquinhos e balões. Nas traseiras da pensão havia uma espécie de pátio onde ficavam os caixotes do lixo a três cores e outros desperdícios, sacos de plástico rasgados, papel higiénico mais ou menos utilizado, tampaxes, garrafas partidas, enfim, restos de noites desbagadas.
Jazia o Vicente João



N
o meio daquele bric-a-brac sujíssimo a cheirar a podridão estendido no chão estava o Vicente João sem  camisa  e de calções vermelhos com dois buracos no peito donde jorrara o sangue que o envolvia, então já seco, com enxames de moscas à volta numa dança zumbidora e um banquete macabro. Toda a gente estacou só Matilde deu um passo tremente e soltou ai o meu menino, mataram-mo! E deu-lhe um chilique, caiu no chão. Tentaram agarra-la, mas foi em vão. Tragam um copo de água, uma bagaceira, o sal para ela espirrar. E o gerente, avisem as autoridades, o INEM, os bombeiros, que se lixasse o bom (?) nome da pensão!


A
 autoridade chegou: um polícia que vinha averiguar a ocorrência e que, face aos factos, mandou que ninguém passasse dali, nem se pirasse enquanto ligava para o chefe e para a Polícia Judiciária. A turba acalmou em suspense à espera do que aquilo iria dar. Matilde recobrara os sentidos e soluçava num pranto de arrepiar. O Simões que era o gerente e o porteiro recepcionista amparavam-na tentando infrutuosamente que ela se acalmasse. Mas, não, ela repetia entre cada soluço, mataram-me o meu menino!


F
oram vindo mais uns polícias que estabeleceram o limite do local onde jazia Vicente João com fita vermelha e branca e logo de seguida a ambulância do INEM com a sua equipa especial, cujo médico observou o cadáver, não havia nada a fazer, o homem estava morto e que só a autópsia esclareceria se havia mais alguma coisa que, além dos tiros, pudesse indiciar o que se tinha passado. E logo um brincalhão no meio do ajuntamento que se formara comentou em voz alta que o presidente da sua freguesia comentara em situação idêntica: o falecido está definitivamente morto...

Impressões digitais



E
ntre gargalhadas e schius alguém avisou que com coisas daquelas não se brincava, que o gajo fosse brincar com a sua pilinha… Foi então que chegou a Pêjota: um inspector, dois ajudantes, um deles estagiário, dois técnicos de dactiloscopia e o médico legista. Deitarem imediatamente as mãos à tarefa, investigando, ouvindo pessoas, recolhendo possíveis impressões digitais e tirando sangue para descobrir o ADN da vítima. A Matilde que parecia finalmente ter-se sossegado, informou que não era preciso pois o pai do assassinado não era o Vicente. Insistindo com ela revelou que o pai dele era um romeno de Suceava (2) cujo nome preferia ocultar
.

C
oncluídas as diligências, o cadáver seguiu para a morgue, no preciso momento em que o senhor careca e barrigudo que acabava de sair da pensão Olivença, aproximou-se de um polícia, senhor guarda, roubaram-me do quarto a minha carteira, onde tinha apenas uns trocos, mas todos os meus documentos, cartões bancários e… Ó homem de Deus, aconteceu aqui um assassinato e você vem-me falar do roubo da sua carteira? Vá à esquadra e apresente a queixa, Mas é que eu estava na cama com uma piquena... quero lá saber de carteiras e de pequenas, já lhe disse vá à esquadra.


A
pós a cena encerrada, baixado a cortina do palco, a mulata regressou ao seu quarto, já que o do filho tinha sido selado. De novo chorava convulsivamente e o gerente que a acompanhara receitou-lhe que engolisse dois comprimidos para dormir, um não lhe faria nada, com um chá de tília. Ele próprio o encomendaria à encarregada da limpeza dos quartos e mandaria a cozinheira para fazer a infusão. E trouxe-lhe lenços de papel  em quantidade mais do que suficiente para enxugar as lágrimas, minha senhora, os amigos são para as ocasiões, agora deite-se, o que ela fez. E durma; aí é que estava o busílis.

Medicamento sonífero



M
as ainda pediu ao gerente para que avisasse o Vicente e a Dona Etelvina do Lar da rua do Crucifixo do que se passara e que ele não era o pai do Vicente João, aliás Petre Comanescu, filho de um senhor Romeno com quem ela vivera. Depois de tomar o chá bem quente e os dois Zolpidem (3) sossegou um pouco e dentro de minutos ressonava. O remédio fora receitado pelo Dr. Aurélio que de vez em quando vinha à pensão para, como ele dizia, desenferrujar o pénis, obviamente no maior sigilo para que a Genoveva, sua caríssima esposa, não suspeitasse da rapidinha do marido que, afinal, não tão rapidinha como isso… 


M
arcos Nascimento estava sentado à sua secretária no Departamento Central de Informação Criminal  e Polícia Técnica, no qual era inspector-chefe. Na sala ao lado ficavam o investigador Ferreira Melo e o estagiário Nicolau Fernandes. Era a equipa que se deslocara à lixeira da Pensão Olivença onde jazia um homem com pêra e encorpado, dos seus quarenta e poucos, baleado com dois tiros no peito, mais precisamente no local exacto onde por baixo da pele batera o coração. Aguardava o resultado da autópsia que viria do Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses. Na sala do Melo este tamborilava com os dedos no tampo da secretária.

Nova sede da Polícia Judiciária (em Lisboa) 



C
om a porta entre as duas salas aberta, era um barulho irritante, mas tinha de atura-lo: o José Ferreira Melo era o seu braço direito e o estagiário Nicolau Alves Fernandes preparava-se para ser o esquerdo; Melo era do Benfica, Nicolau sportinguista ferrenho; mas tirando a clubite davam-se muito bem e ao estagiário faltava pouco para ser agente; completavam-se e a sua ajuda era essencial para Marcos Nascimento, sobretudo o Nicolau que tinha um faro que nem cão polícia. Lugar para onde apontava o focinho era tiro na mouche.


A
 autópsia fora feita no dia anterior e o Dr. Jacinto Vasconcelos dissera-lhe que o relatório seria entregue até as cinco da tarde do dia seguinte, o que queria dizer que dentro de quarenta minutos, mais coisa, menos coisa, Nascimento tê-lo-ia para o utilizar na investigação. Inopinadamente o médico legista entrou no escritório um tanto avermelhado. Tinham sido companheiros na escola secundária (antigo liceu), por isso davam-se como irmãos; aliás mais do que irmãos eram amigos.
Tinha arsénico no bucho



O
 Jacinto parecia que vinha com um foguete no cu… Nada de brincadeiras, estava com um piripiri ultra-picante enfiado mesmo no fundo das costas. Sentou-se e desfolhou o rosário, aliás o relatório. Aberto, o cadáver revelara que tinha sido atingido por duas balas de calibre sete sessenta e cinco que foram recuperadas no corpo. Pior, tinha mais arsénico no bucho do que o necessário para apagar dez homens; e além disso soníferos à barda. De acordo com a estimativa do horário em que fora praticada a coisa e apesar do rigor mortis já estar em vigor, se as leis podiam ter a expressão por que bulas não o teriam os cadáveres?


C
om que então o Português/Romeno ou vice-versa tinha sido morto “duas vezes”?... Engraçado, havia um fado que dizia “que só se morre uma vez Bonito serviço… E o Cavaco que afirmara que para ser mais honesto do que ele era preciso nascer duas vezes… Marcos confiava em Jacinto, podia jurar pela sua saúde que o médico legista nunca se enganara; nem uma vez sequer. Por conseguinte tinha um mistério que afinal eram três para investigar, escavar como se fora uma toupeira e descobrir o assassino ou os. Raio de vida pensara com o microfone aberto; foda-se já me descuidei.


P
or mim sabes que estás à vontade, desta bocarra não sairá um pio. Os pensamentos ainda não são proibidos, se não forem em voz alta, com este Governo nunca se sabe, comentou sorrindo Jacinto Vasconcelos; eu sei que é assim, mas se alguém ouvisse estava feito. Da sala contígua veio um ámen, pode estar descansado, homem sério não tem ouvidos… ou será mulher séria? e etc….

Com um ovo estrelado. Ou dois



D

aqueles não suspeitava Marcos Nascimento, poria as mãos no fogo se denunciassem o que quer que fosse, bem pelo contrário. Nicolau aventou que era preciso correr as farmácia e drogarias para ver se se encontrava o estabelecimento onde fora vendido o “rei dos venenos” em quantidades “industriais”. Mãos à obra disse o inspector. Mas antes iriam almoçar, estou cá com uma larica que comia um elefante panado resmoneou o Dr. Vasconcelos. E o Marcos: para ele sairia um bife à Portugália com batas muito bem fritas, quase esturradas e um ovo a cavalo. Ou dois.

Léxico
(1)        O que é isso, mãe? É um manicómio, Vicente, é um manicómio e deixa-te de fazer perguntas parvas!
(2)       Suceava é uma cidade romena localizada na região moldava da Bucovina

(3)       Marca de comprimidos soníferos  

AVISO
Tal como venho informando, este é o último capítulo da série QUEM SABE SE?. O motivo é simples; quem sabe se estes escritos podem dar alguma coisa mais. Os direitos de autor serão muito bem vindos se a ideia que tenho (e a intenção) se concretizarem. Os( hipotéticos) leitores creio que compreenderão que assim proceda, pois se não comprarem o que daqui resultar, lá irão por água abaixo os tais direitos de autor supracitados...
Obrigado. A. F.