Fazer Amizade com as pessoas é uma das melhores coisas do Mundo. E a blogosfera propicia isso. Mas também pode ser muito perigosa; logo, há que ter muito cuidado: somos muitos e convém não esquecer que os homens são todos iguais - mas há uns mais iguais do que os outros...

sábado, 16 de maio de 2015



BUÉ DA FIXE


Sobre a virgindade

Antunes Ferreira
D
ei por mim a ler o Valioso Tratado sobre a Virgindade cujo título é A Virgindade Consagrada da autoria de Santo Agostinho. Para que se compreenda esta estranha decisão há que saber quem é o cidadão que lia Santo Agostinho e que começa por falar nele próprio. Poder-se-á pensar em auto-estima ou mesmo em demonstração de soberba pessoal. Mas não se veja nenhuma destas maneiras o facto deste texto começar em nome pessoal.

P
arece-me necessário informar que me chamo Teodoro da Costa Fagundes, tenho 32 anos, solteiro e dizem que bom rapaz, salvo quando me pisam os calos. Sou engenheiro informático e criei com três colegas da Faculdade uma empresa, a Infortrês, que se estabeleceu desde a fundação no Taguspark, o Parque de Ciência e Tecnologia da Região de Lisboa e fica em Oeiras, mais precisamente em Porto Salvo.

Micro-informática


A
 vida tem vindo a correr-nos bem, já alargámos o pessoal que conta com dez unidades, incluindo a recepcionista/telefonista e encarregada da porta da empresa, que hoje engloba três espaços, o primeiro foi onde nos lançámos nesta aventura primeiro destinada apenas a Portugal. Agora já somos conhecidos e conceituados, trabalhamos inclusive para o estrangeiro e nos nossos clientes encontra-se a NASA. Isto porque avançámos nos domínios da micro-informática, novos chips e terminais micrométricos, enfim numa nanotecnologia informática onde –sem falsas modéstia - nos encontramos entre as melhores do Mundo, quiçá a melhor.



M
as se disse quem sou (falta-me dar o número do meu Cartão do Cidadão, os números do colarinho e dos sapatos, as vacinas que tomei, enfim o NIB – não queriam mais nada? Brincamos?) tenho de explicar por que bulas estou a ler o Santo Agostinho e sobre um tema difícil: a virgindade. Resulta duma inquirição de pessoa que muito prezo (peço o subido obséquio de verem que não escrevi preso, muito menos peso. Aliás a pessoa de quem vou falar mais adiante é esbelta e pouco pesada: con todo en su sitio y curvas muy bien dibujadas; por supuesto verdaderas, tetas de suenõ, nada de silicones o de botom: una pura brasa, como diz o meu amigo Don Paco de Badajoz que ganhou a vida a vender caramelos e hoje é apoderado tauromáquico).

Adicionar legenda


É
 a minha prima Teresa – abre parêntese a quem foi feito um poema que aqui transcrevo sem autorização do suposto autor, que aliás desconheço, que se lixe o gajo:
Esta noite só sonhei
com a minha prima Teresa.
De manhã quando acordei
Inda tinha a… vela acesa fecha o parêntese -  É modelo fotográfico, tem 23 aninhos e fuma Marlboro, apesar do “cigarro mata”. Delira com o Kamasutra mas não o pratica. Só lê e... vê.


V
ai para uns quinze dias foi à pastelaria e restaurante “A Celorica da Beira” – o patrão é o sôr Malaquias de Celorico da Beira - onde eu magicava em mais uma informático-mariquice enquanto tomava o meu uísque com pedras como aperitivo, pespegou-me dois ricos beijos um cada face e sentou-se à minha mesa. Tenho de sublinhar que os olhos dos outros cavalheiros fulminaram-me como se fosse o diabo em figura de gente ao mesmo tempo pensando que sorte tem o malandro e a nós não nos toca nada.

Traçou a perna


T
raçou a perna e aí foi um tsunami; a mini-saia que usava era mesmo muito mini e cruzar os membros inferiores era uma festa mesmo sem foguetório nem sardinhas assadas e tinto da casa e um manjerico a preceito, ainda que não tivesse chegado o Santo António, estávamos a entrar no Maio. Até houve um sujeito que ameaçou ter um ataque cardíaco mas foi mais falso que o Iscariotes. Nestas coisas do coração prefiro os bifes bem passados. O Malaquias veio pressuroso para apontar o que queríamos.

P
ara mim um leite magro e uma meia torrada sem manteiga disse ela, enquanto eu encomendava um combinado número seis e meia garrafa de pinga alentejana, adega cooperativa, colheita 2005  de que sou um fã ao cubo. O prestimoso proprietário agradeceu e retirou-se mas só depois de deitar um olhar entre o concupiscente e o pornográfico à Teresa. Tenho de sublinhar que além do recorte de tecido que similava a mini-saia, usava uma blusa vermelha de malha fina que publicitava que ela não usava sutiã. Com um decote tipo porta-aviões e as saliências demonstrativas da desnecessidade de suporte dos seios era uma vénus de Milo, mas com braços.

T
u só almoças “isso”? Tenho de manter a linha senão lá se vão as poses e as máquinas e os holofotes. E enquanto não chegavam as encomendas, perguntei-lhe o que a trazia por ali. Venho pedir-te um conselho. Um conselho meu? A mim? Claro. Vinha, E desbobinou que pensava dar o nó com o namorado com quem vivia há três anos, o Necas. Eu abominava o gajo; melhor, odiava-o. Dizia-se dono de uma agência supostamente representante de futuras estrelas da passarela e quiçá, no futuro, artista de telenovelas.

E
 depois, que tenho que ver com a cena do matrimónio? Queres convidar-me para padrinho? Impávida e serena: sei muito bem que tens ciúmes dele, mas sabes, Teo, primo com prima ou vice versa dá filho muito ensarilhado, sobretudo da mona. Não respondi, não comentei, tenho por hábito recordar a afirmação perante as câmaras “olhe que não doutor, olhe que não…” Nunca a tinha presenciado, ao tempo era apenas uma hipótese nos coisos do meu futuro pai. Mas vira-a no programa do Júlio Isidro quando ele entrevistava já não me lembro quem.

Manter a virgindade?


O
 Malaquias não estava no horizonte visível, talvez o cozinheiro ou a cozinheira tivessem entrado em greve instantânea, como as sopas em pacote. Bom, vamos ao que interessa, não sei se devo casar mantendo a virgindade ou deitando-a fora, isto é, dentro. Esbugalhei os olhos, embora não tivesse nada com isso: mas, porra!, tu ainda és virgem? E o Necas?... É um excelente rapaz, muito respeitador, nunca tentou saltar-me para cima. E se o fizesse lembrar-me-ia da tua santa mãe (Deus a conserve à Sua direito) que me dizia. Se tu não deixares ou não quiseres não há cavaleiro que te monte nem com um punhal na mão. A minha “santa mãe” criara a Teresa desde que a mãe dela, a tia Judite tomara o autocarro 258/celestial para se juntar ao marido que ia apanhar o combóio para Santarém e afinal apanhou com as dez carruagens em cima.

E
stava realmente assarapantado. A pergunta teresiana apanhara-me desprevenido, era uma traição. E repeti, aliás estupificado,  ainda que sem porra! nenhum: E o Necas? Lá estás tu com a dor de cotovelo?...  E estava, mas não queria dar o braço a torcer. Pior: estava com a dor de corno. Disfarcei e prometi dar-lhe uma resposta, isto assim de supetão não há cu que aguente, que aguentasse o dela (e o resto) e esperasse, que a minha mãe tinha esperado nove meses. Prometeu-me aguentar  os cavais. E foi-se sem sequer comer a meia torrada sem manteiga. O copo de leite magro já o bebera.

Santo Agostinho


P
or isso que, embora muito contrariado, comecei a documentar-me sobre a melindrosa questão da virgindade. Fui, obviamente ao Google que me mandou à… Wikipédia, o que fiz obedientemente. Fora lá que descobrira o resumo do livro assinado (e não autografado) do Santo Agostinho. Mas, que infelizmente apenas tratava da virgindade de Maria, mãe de Jesus, o que não interessava minimamente para a resposta que daria à Teresa. Mesmo assim apontei as palavras do santo que dissertara na primeira parte a respeito da virgindade em si mesma, da qual Cristo e Maria são modelos perfeitos (caps. 2-6).

N
ão podia seguir por esse ínvio caminho. Ponto. A religião já tinha causado ao meu amigo Antunes Ferreira (que, aliás, assina este textículo) uma caterva de chatices. Nada, não, Roma, o Vaticano & similares não eram a escolha mais indicada, previdente e sábia. Recorri então ao Portal da família (brasileiro) que – e passo a transcrever, respeitando a grafia e a terminologia originais, com a devida vénia: “ Virgindade! Embora este tema pareça ultrapassado, fora de moda, “out”, muitos jovens se sentem pressionados, uns porque ainda são virgens, outros porque não o são mais. Garotos, vocês também estão incluídos neste capítulo! Existe muita pressão dos amigos, da mídia (vejam as novelas, os jornais e revistas especializadas!) e até dos familiares para que deixem de ser virgens (ou seria melhor dizer “casto”?), independentemente das incertezas que sentem, do que pensam, do que esperam da vida.  O termo “ser virgem” é usado para falar de uma pessoa do sexo feminino que nunca teve uma relação sexual completa e que portanto, possui intacto o hímen. Na primeira vez em que uma mulher tenha uma relação vaginal completa, geralmente o hímen romperá. Porém existem meninas que têm um hímen mais flexível, o chamado complacente, que não se rompe totalmente na primeira relação”.





O
lha que novidade… Zappinguei e mudei de canal: Pergunta à sexologista Marta do Amor, no site CORREIO DO CORAÇÃO “Acha feio ser virgem? Feio não é ser virgem, pelo contrario só mostra q a menina (ou menino) está se guardando o maximo para n perder cm qualquer idiota… Eu tenho um amigo q perdeu cm vinte anos pq ele estava se guardando para uma menina.. Achei muito fofo da parte dele...” (continuo a respeitar a grafia original, mesmo as abreviaturas). Ná, assim não ia lá.

E
m desespero de causa, decidi recorrer ao pároco da minha freguesia que ficou espantadíssimo quando me viu; ora bem, então por cá? Deve estar prestes a cair algum santo do altar, tenho de verificar se alguma coisa está solta ou mal aparafusada… Ignorei a ironia sacerdotal (mau, lá estou a meter-me por caminhos eclesiásticos, que vou eliminar de seguida, não vá…) resultante de apenas em funerais, casamentos ou baptizados me ver no templo.

E
xpliquei-me, pus-lhe o caso tim-tim por tim-tim, com as melhores palavras que pude utilizar. Vai daí ele respondeu-me talqualmente dissera a minha saudosa mãe à sobrinha Teresa, obviamente com outros termos; agradeci-lhe e vim-me (“Mal será para aquele que pensar mal" ou seja em retroversão literal  “Honni soit qui mal y pense ) embora de orelhas murchas. E assim convidei a Teresa para jantar num restaurante  fino, com música ambiente e tudo. Dei-lhe conta das minhas diligências e do que delas resultara. Após umas taças de gelado ao rum, fomos dançar. Enfim, uma noite muito sugestiva. Só terminou no meu apartamento.

Pedro Álvares Cabral  chega ao Brasil


H
oje a minha mulher já confidencia às amigas que primo com prima não dá idiotas. Abandonou a mini-saia e usa porta-seios (as novelas brasileiras são bem melhores do que a chegada do Pedro Álvares Cabral a terras de Vera Cruz descrita por Pêro Vaz de Caminha em carta endereçada ao rei D. Manuel I E do que esta troika Cavaco, Cuelho – com u propositadamente - e Portas que vai dando cabo do nosso país e mentindo, um mais do que os outros, prática em são especialistas. E ainda do que o malfadado Acordo Ortográfico ? E exemplifica com os dois putos e a miúda que fabricámos em conjunto e no lugar mais indicado para o efeito.


domingo, 10 de maio de 2015

Toalha de banho

por mor
dos picantes
muito picantes

Antunes Ferreira
E
ra o goês que conheci – e conheci e conheço muitos – que mais suava quando comia picantes muito picantes A expressão era dele. Além de camadas de profissão éramos Amigos. A minha mulher Raquel conhecia-o desde que el tinha quatro anos. Em Goa, obviamente. A família, no entanto, era oriunda de Damão.

Q
uando vinha almoçar ou jantar a nossa casa o ritual repetia-se: a Raquel ia buscar uma toalha de banho para ele enrolar a cabeça e o tronco molhados de tanto suor. E depois vinha outra. E outra ainda se fosse necessária. Um tipo pachola, repentista, irónico, por vezes mesmo acintoso, mas era um Grande Jornalista.

Fomos companheiros mais de dez anos no Diário de Notícias 


F
alar dos seus muitos méritos profissionais é despiciendo. Já muitos o fizeram e certamente muito melhor do que eu faria. Aqui apenas tento dizer dos seus contactos humanos. Vejam só. Um dia em nossa casa no momento à Lapa almoçavam três casais. O Mário Ventura Henrique (também já falecido, a ronda toca a todos…)  e a sua mulher Eglantina, o Oscar (sem acento) e a Natal, a Raquel e eu.

F
oi um almoço para sempre recordar, como reza o anúncio. A malta comia (muito), bebia (muito) e o maestro ela ele. O Mário esbugalhou os olhos quando viu a toalha de banho. E ele imperturbável: nunca viste um gajo a comer picantes muito picantes? A partir de agora já podes dizer que viste… O Ventura Henriques engoliu em seco, perdão, molhado e continuou a conversa entremeada das comidas e bebidas.

Vá, desembuchem...


E
ntrementes os meus filhos vieram à mesa para abastecer os seus pratos e ficaram como se não fosse nada com eles; já estavam habituados à encenação, já estavam habituados à toalha de banho, já estavam habituados com ele. Então meus meninos (o Miguel já tinha 20 anos, andava no Instituto Superior de Economia e Finanças, o Paulo, com 18, acabara de entrar em Sociologia e o Luís Carlos, o mais novo, estava a prepara-se para Direito mas para ele eram meninos) como vão de namoradas? Vá, não se encolham que os papás não ouvem; desembuchem…

A
 Eglantina disse sotto voce, então não perguntas pelos estudos? E ele: não preciso; sendo filhos da minha prima Raquel têm de ser bons alunos. Já o pai (que era eu, suponho) para ser burro só lhe faltam as penas!...  Era um duro dos filmes de cobóis, mas brincava. Às vezes. Caímos na galhofa. Ele era assim. No entanto era muito sensível e escondia a sensibilidade pela ironia, sem dar conta sobretudo aos outros que tinha dificuldades nesse jogo de sombras. A Natal conhecia-o bem e boca calada prudentemente.

Q
uando estava prestes a terminar o repasto o tipo avisou: não comam mais! A Raquel e o Antunes Ferreira têm para jantar outro casal amigo e vão aproveitar estes restos para dar a esse  par. Aí ninguém pôde retrair o riso. As gargalhadas saíram em catadupas. E fomo-nos ao café (que não eu porque não o tomo) e aos uísques que eu tinha em quantidades muito apreciáveis. Um charuto, para ele indispensável.

E
 pronto, era para mim assim o Oscar (sem acento) e no meio do desgosto – chegaram-me as lágrimas aos olhos quando um e-mail me deu a notícia – bom Amigo, camarada, terno e sensível embora estas qualidades fossem por ele bem encapotadas. Só uma vez o vi eufórico: quando a sua Carol terminou o mestrado, o que enunciou a todas as amigas e todos os Amigos, sem esconder o orgulho que tinha pela filha Carolina, a menina dos seus olhos.

M

as, podem ter a certeza de que o Oscar (sem acento) era um Grande Jornalista.

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NE e A - Este texto foi também publicado em outros blogues. Mas, para mim, esta modesta mas justa homenagem a um Amigo que já não está connosco tinha de vir aqui na nossa Travessa.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

AVISO PRÉVIO
Este texto não deve ser lido por pessoas mais sensíveis, mais puritanas, por sacerdotes diversos, por gente temente a Deus. Depois não digam que eu não avisei.



BUÉ DA FIXE

A saga religiosa

O comportamento ético do homem deve basear-se
 eficazmente na compaixão, na educação
e nos laços sociais, e não necessita de base religiosa.
 Triste seria a condição humana
se os homens precisassem de ser refreados
pelo temor do castigo ou pela esperança
da recompensa depois da morte.
Albert Einstein


Antunes Ferreira
D
esde os seus tempos primeiros a Igreja Católica tem andado em reboliço. Uma verdadeira saga religiosa. Há dúvidas? Veja-se o caso do Pedro que depois seria santo e papa que negou três vezes que Cristo era Cristo,  veja-se o drama de Judas Iscariotes que traiu o Mestre por trinta dinheiros, levando-o ao Gólgota, vaja-se ainda o incrédulo Tomé que meteu as mãos nas cinco chagas do Senhor para acreditar que Ele era o ressuscitado. Isto apenas enquanto o filho do carpinteiro, alegadamente do Espírito Santo.

P
asse-se por cima da Samaritana (boa como o milho) a quem Cristo ferrou um entusiástico beijo junto à fonte de Jacob segundo o fado de Coimbra, na voz do Edmundo Bettencourt , que pelo sim, pelo não aqui se transcreve:
“Dos amores do redentor
Não reza a história sagrada
Mas diz uma lenda encantada
Que o Bom Jesus sofreu de amor.
... o beijo que te encantou

Sofreu consigo e calou
Sua paixão divinal
Assim como qualquer mortal
Que um dia de amor palpitou.

Samaritana plebeia de Sicar
Alguém espreitando te viu Jesus beijar
De tarde quando foste encontrá-lo só
Morto de sede junto à fonte de Jacob.

E tu risonha acolheste
O beijo que te encantou
Serena, empalideceste
e Jesus Cristo corou
Corou por ver quanta luz
Irradiava da tua fronte
Quando disseste ó Meu Jesus
-'Que bem eu fiz, Senhor, em vir à fonte.'

Samaritana plebeia de Sicar
Alguém espreitando te viu Jesus beijar
De tarde quando foste encontrá-lo só
Morto de sede junto à fonte de Jacob.”

C
laro que a Santa Madre Igreja dos tempos salazarentos arrepelou os cabelos perante esta desfaçatez, este pecado, esta miserável cantoria. E vá de proibir a reprodução do fado. Assim aconteceu e Álvaro Cabral, autor da letra e da música não gostou, pois perdia uma quantidade de escudos como direitos de autor. Tratou-se obviamente de uma ficção pois nada consta nos Evangelhos sobre este alegado ósculo. Mas, nunca fiando… A seguir vieram as execuções de alguns apóstolos (Iscariotes, muito cabisbaixo, saíra da equipa sem que lhe tivessem mostrado o cartão vermelho).
P
elos séculos fora foi um vê-se-te-avias. No circo romano, então, foi mais do que isso; um verdadeiro regabofe. Cristãos lançados às feras era prato que não faltava e que era muito aplaudido pela populaça. Um exemplo com provas dadas foi “Quo Vadis”  que originou um filme que ficou na estória do cinema, protagonizado por grandes nomes da sétima arte: Robert Taylor, Deborah Kerr, Leo Genn. E Peter Ustinov. Na película há uma cena curiosa:
Ursus (Salvação Barreto) pega o touro 
o herói para salvar a amada pede a Ursus que pegue o touro desembolado que se prepara para a mandar para o outro mundo!

M
as Buddy Baer, que fazia o papel de Ursus (o hipotético salvador da estrela) quando lhe foi proposta a coisa, terá dito “Brincamos? O animal tem dois cornos na testa como um marido enganado. E ainda por cima espetam. Ná, nunca seria eu o actor valentemente plantado na arena” E dali não saiu. Enrascadela de todo o tamanho – que fazer? Sem herói mas com touro, era uma porra! E foi então que um aderecista que passara férias em Portugal, adiantou que nesse país havia uns loucos que, a mãos limpas, pegavam touros na arena.

S
uspirou-se de alívio. O realizador,  Mervin LeRoy enviou o citado aderecista a Portugal – desta vez não ia passar férias – a fim de encontrar quem estivesse disposto a cobrar uns dólares e pegar o bovino. Nuno Salvador Barreto, cabo e fundador do Grupo de Forcados Amadores de Lisboa disse que sim. E a verdadeira lenda do forcardismo  seguiu rapidamente para o estúdio. Atada convenientemente a um poste no meio da arena encontrava-se  Deborah.

(A
Bre-se aqui uma parentética para elucidar que o autor do livro em que o filme se baseia, o Mister Henryk Sienkiewicz, escrevera que a heroína se encontrava nua à mercê do animal, mas LeRoy decidira vesti-la convenientemente, o que aconteceu, para algum desânimo e tristeza do pessoal que rodava a película. Há sempre os desmancha-prazeres que, arvorados em censores da nudez, dão cabo da adaptação dumo livro. Feche-se o parêntese)

E
stava-se mesmo a ver (para os entendidos) que Salvação Barreto, duplo do Ursus, citaria o bicho e faria uma rija pega de caras. Além de ter sido muito aplaudido, embora amador  embolsou os dólares acordados que não divulgou, ao invés dos onze apóstolos do cristianismo que tinham seguido pelo mundo de então a divulgar a boa nova. E assim reentra-se no texto referente à Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana e nos seus sofrimentos.

Santo Ofício/Inquisição

A
breviando. Na Idade Média a Igreja não foi de modas. Heréticos não faltaram a tentar dar cabo da verdade defendida por ela. Os cátaros de França viriam a motivar a Cruzada Albigense que deu cabo dos hereges que defendiam que havia dois Deuses e não  um, Mais tarde o Santo Ofício, mais conhecido por Inquisição fez o que fez e ninguém lhe foi à mão. As coisas menores foram as excomunhões, mas os terríveis autos de fé e as execuções sumárias e as fogueiras foram a sua bandeira.

M
as, antes de entrar por essa via que não é sacra bem pelo contrário, permita-me que aqui note a eleição para o Papado Francisco, o anterior cardeal  Jorge Bergoglio, O papa argentino que é o primeiro latino-americano da História do Vaticano, deparou-se quando se sentou na cadeira de Pedro com um monte de problemas deixados pelo seu antecessor Bento XVI, (o poderoso cardeal Joseph Ratzinger  que renunciara ao cargo tendo ficado com o título de Papa Emérito). As más línguas baptizaram-no com Panzerpapa. O legado tramado foi da autoria de outros Pontífices que não são para aqui chamados.

F
rancisco atacou de frente problemas muito complicados e que os seus antecessores tinham chutado para canto. É um adepto do San Lourenzo de Almagro, tem as quotas em dia, e por isso a linguagem futebolística. O Papa jesuíta  tinha diante de si questões sensíveis, a saber: Tradicionalismo, Bioética, Homossexualismo, etc. 

Francisco, o Papa simpático

A
rre porra!, que é demais! Porém Bergoglio (também chamado o Papa simpático, ao invés do seu antecessor) encarou de frente todos os problemas melindrosos e houve logo quem disse que estava tramado, a Curia Romana estava preparada para lhe pôr uns patins, ou seja manda-lo para o outro mundo. O poder quando instalado não tolera "inovações" de um Papa que pretende (dentro do possível) mudar a face da Igreja. Continuavam e continuam assim os tormentos da Santa Sé. "Cada cavadela, cada minhoca". No entanto, Francisco não se intimidou. 
Porém como é sabido a imaginação briga com a transpiração. Roga-se que não se veja nelas motivo para puritanismos muito menos de intenções de ofensas ou de má intenção. Ridendo castigat mores é afirmação que aqui se exara para que não haja confusões. A primeira mete um Santo Pontífice, mais um desta saga vaticanista. (É conhecido: adoro inventar palavras...)


Lollobrigida foi ao Vaticano


G
ina Lollobrigida (ainda se lembram dela?) foi recebida pelo Papa em audiência particular. A estrela cobria um amplo decote com um xaile de renda; no peito levava um medalhão com a última ceia. Quando se ajoelho e beijou a mão do Pontífice reparou que ele olhava para o peito dela e perguntou: Sua Santidade estais a olhar para a Ceia do Senhor?  E o Sumo respondeu-lhe que não, que estava sim a olhar para o seio da Senhora… Blasfémia é o que não falta por toda a parte. O autor espera que a bondade da Igreja o isente das profundezas do Inferno, ainda que não acredite nelas e obviamente com o alegado reino de Belzebu.

S
ó mais uma para atestar o estado a que a Igreja chegou [e que também se aplica, sem dó nem piedade ao (des)Governo que temos, bem como ao putativo e ignorante PR]. Ela aborda de forma assaz diferente da que está ser usado pelo Papa Francisco e resumindo é o problema do celibato dos padres. Com ela termino esta peregrinação pelas eclesiásticas figuras e figurões.

P
ara participar numa reunião, o padre Frederico foi buscar ao Convento da Purificação, uma madre que se dedicava ao estudo  dos assuntos que iam ser discutidos nesse conclave. O sacerdote tinha 37 anos e a freira 32. E deslocavam-se na viatura do primeiro. Chovia a potes, ou melhor a bidões, quiçá mesmo a piscinas olímpicas; via-se que o guardião das portas celestiais talvez não estivesse muito satisfeito com o encontro. Por isso acabou-se a gasolina sem quaisquer aditivos.

O padre e a freira

O
s dois saíram do carro, vá de dar corda às sapatilhas  e chegaram convenientemente encharcados a uma luz distante que afinal era uma casa. Bateram à porta e abriu-a um senhor preparado para arrostar com o dilúvio no mínimo local e disse-lhes que entrassem se secassem e se quisessem beber uma bagaceira antiga e da casa que fizessem o favor de estar à vontade. Mas ele ia sair com a filha; era viúvo. Podiam passar a noite na moradia.

P
orém havia um problema: só tinha uma cama de casal – que saudades tinha da sua Bonifácia… Frederico atalhou de imediato  o inconveniente:  a freira dormiria na cama e ele no chão. O senhor muito simpático e prestimoso foi buscar à garagem um colchão insuflável e apontou um armário pejado de mantas. Deu as boas noites e bazou.

Q
uando o sacerdote já estava quase a dormir, a freira com a voz embargada pediu-lhe desculpa de o incomodar, mas estava cheia de frio. O prior levantou-se e foi buscar uma mata ao tal armário e sossegou a irmã da caridade: assim. Minha irmã já não tem frio: Frederico voltou ao colchão insuflável e estava prestes a ferrar o galho, a freira repetiu que tinha cada vez mais frio. De novo a cena: mais uma manta e etc.

... então levanta-te


O
 pior foi quando a  monja implorou ao acompanhante mais uma manta que ainda estava enregelada. O presbítero no colchão insuflável: se a irmã para ganhar ao frio por 5-0 (de novo a linguagem futebolística, ainda que pouco própria para aquele inefável momento) quisesse fazer como se fossemos marido e mulher. .. A freira bateu palmas! Que bela proposta, vamos a ela. Deu pulos de contentamento. E Frederico : então levanta-te e vai tu buscar a merda da manta…